sexta-feira, 8 de maio de 2009

Dia das Mães


Não é fácil falar de mãe sem cair na pieguice ou na piada, vou tentar.
Uma das boas lembranças que tenho do meu tempo de criança é de quando faltava luz na pequena cidade que morava, a gente ia pra rua e sentávamos no meio fio da calçada, minha mãe, minha irmã e meu irmão e eu . E com a cidade toda as escuras o céu ficava muito lindo, as estrelas mais visíveis e ela ia apontando as estrelas e mostrando as constelações.


Nunca consegui muito ver aquelas formas, com exceção, é claro, das três Marias e do cruzeiro do sul, de qualquer forma a gente ficava tudo juntinho ouvindo e olhando pro céu, tinha algumas discussões pois mãe tem só dois lados e nós éramos três, ai haja negociação, os que estavam sentados ladeando a mãe não queriam sair e o que estava fora queria encostar nela também.


Muitos anos mais tarde eu estava em Cananéia, com minha filha de dois anos e andava com ela no jardim da casa e olhei para o céu e as estrelas estavam muito nítidas e ai meu olhar se dirigiu para a minha filha e depois para o alto de novo e vi a nós duas tão pequenas e o céu tão grande, tão amplo, parecia que eu via a nos duas com o binóculo ao contrario e o céu com o lado certo do binóculo, as imagens se alternavam muito rápidas e senti em todas as células do meu corpo a nossa pequenez e me afligi pela minha menina.

Atualmente minha filha já cresceu, virou moça, que muitas vezes torce o nariz para algumas coisas que falo e repete outras tantas, já outras falas minhas elaborou melhor, chegou com o pensamento mais longe, tem muitas outras que são suas e segue em sua afirmação pessoal.

Minha mãe envelheceu, perdeu muitas pessoas, já não enxerga nem escuta bem e esquece muitas coisas, então acontece de ver varias vezes o mesmo jogo e torcer como se ele estivesse acontecendo naquele momento, o mesmo acontece com os filmes recentes. Então o mundo esta cheio de coisas novas para ela; do que escapa por suas deficiências, vai criando historias e assim tendo emoções e mantendo seu bom humor, porém tem seus momentos de quietude, de olhar ausente, e nesta hora sei , que olha outros momentos de sua vida e não há o que fazer e ai sinto a minha pequenez novamente e me aflijo por nós.

4 comentários:

Dalva M. Ferreira disse...

Nem me fale, amiguinha! Mês de maio, para mim, é mês de tristeza: seria aniversário da minha mãe, que partiu em 2004. Sei bem o que é acompanhar esse declínio, quando aquela figura que nos protejeu a vida inteira começa a murchar feito uma florzinha e acaba por secar. Muito linda a sua lembrança, obrigada por compartilhar. E obrigada pela oportuna observação lá no meu blog! Abração!

angela disse...

É triste mesmo acompanhar esse declínio, mas penso também que é um privilegio ter a mãe por tanto tempo, mais triste é quando elas se vão.

leonorcordeiro disse...

Oi Angela !
Minha mãe partiu em 1996, estava com 96 aninhos. Viveu longos anos sem nem mesmo saber quem eu era, mas sempre estava feliz.
A doença levou a lucidez mas deixou as primeiras memórias, memórias do seu tempo de menina.
Obrigada por visitar o meu blog.
Um graaaannnnnnnde abraço para você !

ANA CLAUDIA MARINHO disse...

Oi angela!Filhos não tenho pois só tenho 17 anos.Mas sua postagem me fez lembra de uns 10 anos atrás quando eu deitava no chão de cimento da minha casa e observava as estrelas.
Feliz dia das mães atrasado!
Um abraço!
thau.