quarta-feira, 13 de maio de 2009

O amor tem estranhos caminhos

Maria conheceu Júlio numa festa da escola, achou-o tão bonito, tão inteligente e tão seguro de si que quando se deu conta estava apaixonada e intimidada. Afinal ele era tão bem sucedido em tudo que fazia.

Júlio adorou aquela devoção, a moça era bonita e agradável que quando se deu conta estava apaixonado pela devoção dela. Namoraram alguns anos e assim que deu, casaram. Ele fez uma carreira brilhante na industria química e ela logo teve uma filha. Nenhum deles sabe ao certo como de simples preocupação pela filha, que toda mãe costuma sentir, perdeu o pé e a paranóia tomou conta. Tão angustiada temendo que envenenassem sua filha, que a raptassem, que a machucassem que não suportava deixa-la só.

Júlio foi perdendo a paciência, chegava cansado em casa e tinha que ficar ouvindo aquelas historias estranhas. Não demorou muito e Maria estava no psiquiatra. A angustia melhorou com os remédios, mas as preocupações...estavam todas lá. Júlio começou a dar uns tapas em Maria e já não a tratava com respeito, sentia -se forte frente a fraqueza dela e ai a devoção dela não fazia falta, ele era o forte.

Um dia sofreu um acidente e ficou estranho, a memoria faltava as vezes, a atenção mais ainda, acabou sendo aposentado por invalidez.

Maria seguia com seus afazeres domésticos e era quem cuidava de todos. A forte agora era ela e depois de algum tempo estava sentando a mão em Júlio, sem respeito algum por ele, a devoção tinha acabado o medo também e assim seguiram por alguns anos, ele cada vez mais encolhido e assustado.

Acontece que um dia sem mais nem menos, como muitas vezes na vida, o imprevisto ocorreu. Júlio desmaiou, caiu no chão e demorou para acordar. Maria assustou-se, achou que ele estava morrendo, ficou aflita, não sabia o que fazer e neste período de angustia reviu (complicado isto de rever o que nunca foi visto) sua vida sem Júlio. Viu sua vida passar por seus olhos, acontecendo sem ele e lhe pareceu uma vida triste.

Quando Júlio acordou encontrou Maria chorando e viu nos olhos dela o medo, a angustia e a antiga devoção e sorriu feliz.

2 comentários:

Babel disse...

quantas maneiras podem existir de amar né?!

angela disse...

infinitas