segunda-feira, 15 de junho de 2009

Diversidade é fundamental



Sónia era uma moça inteligente, ótima aluna, não chegava a ser bonita, tinha sua graça, traços harmoniosos, cabelos e olhos escuros e a pele muito clara, tomava muito pouco sol. A família de imigrantes portugueses, estavam bem financeiramente, a casa em que moravam era grande e bonita e ela e a mãe cuidavam de tudo. Eram austeros no jeito de ser, vestia-se como uma senhora,não como a jovem que era.

Não tinha amigos íntimos, nem nunca namorou,não que fosse chata, só era tímida e retraída, com um ar meio melancólico e faltava espontaneidade, o que imagino afastava seus colegas. Jovens costumam gostar de rir, sair, namorar,beber, etc e ela...bem ela ia a missa todo domingo, participava das atividades da igreja, ajudava a mãe e estudava.

O pai acostumado a uma vida dura e difícil era exigente com todos e ela nem sonhava em confronta-lo até que terminou a graduação e começou a pós iniciando sua vida profissional. Apaixonou-se algumas vezes, amores platónicos e impossíveis, tinha uma irresistível atração por padres e seminaristas, nunca por um colega de classe, vizinho ou professor.

Quando se aproximou dos trinta anos aceitava qualquer convite para sair, sem seleção alguma e sua experiência era restrita ao povo da igreja e a sua família, todos com muitas preocupações éticas e morais.

Surpreendeu-se um dia quando saiu com um rapaz que a levou para um bar em que as mesas ficavam em nichos isolados e lá entre um beijo e outro e muitas palavras doces e elogios que nunca tinham sido ditos a ela, ficou subjulgada, permitindo que ele a acarinhasse cada vez mais ousadamente e quando chegou em casa, ainda embevecida pelos elogios dele, sentiu-se um pouco dolorida e foi se atinando com o ocorrido: a virgindade se foi e o rapaz também.

Um tempo depois uma onda do mar pegou Sónia, que não atinou muito bem com o que estava acontecendo e o mar a levou.

7 comentários:

Dalva M. Ferreira disse...

Pobre Sônia... meu faro policial me diz que eu conheço essa moça. Enfim, o mar que a levou foi o mar que a lavou. Lavou, está nova!

manuel marques disse...

"Erguer-me de sob a montanha de tudo quanto o meu tempo acumulou e descobrir a virgindade do sentir. É a primeira relação com os outros e com o mundo, antes de a razão a engaiolar ..."

Beijo querida amiga.

angela disse...

Dalva
Nova para sempre!

angela disse...

Manuel
Muito bonito isto que escreveu aí.
Beijos

AFRICA EM POESIA disse...

deixo com carinho

VERDE


Verde
Cor linda…
Verde esperança…
Esperança de quê?
De qualquer coisa…
De alguma coisa…
De tanta coisa…
A esperança…
É um bálsamo…
Que invade o coração…
E na vida…
Tantas vezes derrotada…
Tantas vezes mal vivida…
A esperança sobrepõe-se…
E o que era triste…
Fica mais nítido…
Para nós podermos…
Ter novamente esperança …



Lili Laranjo

angela disse...

Oi Lili
Obrigada pelo carinho

AFRICA EM POESIA disse...

Angela

Angela ser livre


e saber usá-la é muito bom...

é a felicidade completa...


um beijo

deixo-te.....




AMARRAS
Amarras…
Soldadas…
Apertadas…
E que doem…

Vou…
Esticar os braços…
Com força…
E cortá-las…
Quero ser livre…
Saber quem sou…
E o que quero…

Não quero…
Sonhar por sonhar…
Esperar…
E nada ter…

E com força…
Arranco…
As amarras…

E mesmo doendo…
É dor de momento…

E não voltarei…
A deixar pôr amarras…
Porque quero…
Ser eu novamente!...

Lili Laranjo