quinta-feira, 11 de junho de 2009

Ressentimento

Nunca me imaginei escrevendo uma carta ressentida. A vida tem me ensinado. Não da pra falar:"nunca pensei que isso aconteceria comigo", "não faria isso nunca" ; pois olha agora, eu aqui escrevendo como uma mulherzinha chorosa com vontade de desfiar um rosário de queixas.

Fiz grandes esforços na vida para guardar minhas frustrações, sei que elas são minhas e só minhas. Só me frustro porque desejo e o desejo é meu, os dois são os tijolos que me constituem, são a terra e a água prensados e cozidos na forma dessa vida que levo.

E nessa empreitada de ir me constituindo, você colaborou bastante.

Ainda me resta alguma dignidade, então não vou me lamentar muito mais, só quero as fotos de volta, aquelas que você me pediu para copiar e não devolveu, assim como não devolveu a maquina que as tirou e que você pediu emprestada mais de 20 anos. Não estou dizendo que você só me roubou, me deu muitas coisas, mas foi tirando todas.

O mais difícil é me deparar com essa raiva e a certeza de que agora você roubou de vez meu afeto e minha confiança. Descobri, finalmente, que a confiança que eu tinha em você, era pura projecção da minha lealdade e do meu afeto.
Como bem diz a palavra, Ressentir, é sentir de novo, ficar sentindo, então eu resolvi escrever e ver se me livro disso.
O melhor é que entendi que fiz muitos acordos na vida, em que só eu participei, pensava que o "contrato social" estava em vigor. Então sou legal com você. Você é legal comigo. Sou sua amiga... sou generosa com você...a lista é infinita, e muitas vezes fiquei com cara de tonta. Agora farei minha parte, como acho que deve ser e não espero o retorno. Pondo para circular e que a vida cuide de mim.

9 comentários:

manuel marques disse...

Por vezes ficamos ressentidos não por nos terem mentido,mas sim por não poder-mos voltar a acreditar.

Um xi-coração cheio de carinho e amizade.

AFRICA EM POESIA disse...

Angela
Gostei da maneira de pensar
O coração e o Amor têm de ser eternos amantes...
Mas o coração embora alguns digam que não...dòi mesmo...
um beijo

AFRICA EM POESIA disse...

deixo para ti...


A vida não é



A vida não é mesmo cor de rosa...
A vida é um emaranhado de fios...
Fios enrolados e trocados...
Mas nós...
Que acreditamos no dia seguinte ...
Cheio de sol...
Olhamos o Cinzento...
E sentimos a vontade forte de mudar tudo...
Tentamos como um puzzle...
Mudar os fios todos ...
De modo que os enrolados e trocados...
Se encontrem ... e então...
Fechamos os olhos e pensamos...
A vida é mesmo ...cor -de -rosa...
E assim...sentimos a vontade
De por vezes, nos deitarmos a chorar
Para acordarmos de certeza... a sorrir...



LILI LARANJO

Dalva M. Ferreira disse...

Eu te entendo, como eu te entendo! Agora é juntar os caquinhos e navegar. Porque sim.

angela disse...

Querido Manuel
Muito verdadeiro isso que escreveu.
beijos

angela disse...

Lili
Os fios se enrolam e desenrolam mesmo.
Bonito poema
obrigada
beijos

angela disse...

Dalva
Sei que me entende...
Naver é preciso...viver também.
beijos

Silvio Koerich disse...

Texto pesado e digo porque: Senti o peso da escrita sua. DEu pra ver que esta pessoa aí te machucou a valer.

Não sei se foi tu que escreveu mas descreveu bem o que é ressentimento.

angela disse...

Silvio
Pesado estava meu coração quando escrevi, mas já passou.
Estou contente que esteja lendo o que escrevo e pode comentar a vontade, inclusive o que não gostar.
Quando o texto não é meu eu coloco a fonte. O texto e a experiencia são meus...pro bem e pro mal.
beijos
Angela