domingo, 5 de julho de 2009

Algumas considerações sobre Agonia e Êxtase

Estava tomando vinho com alguns amigos e a conversa rolava solta quando uma amiga começou a recordar-se de uma passagem de sua infância.
Contou ela que quando menina morava em uma casa com um quintal muito grande, quase uma chacara e que nas noites quentes ela gostava de deitar-se na grama e olhar as estrelas no céu. Tinha a sensação de que as estrelas estavam no chão e ela no céu, na verdade não existia em cima e em baixo, direita ou esquerda. Contou que tinha a sensação de pertencer a uma totalidade e que aquilo tinha sido tão magico e maravilhoso que ela estava em busca dessa totalidade o tempo todo.
Ouço histórias assim, muitas vezes, e estas sensações estranhas: viagem pelas estrelas, desdobramento do corpo, etc, acontecem. São comuns na infância e se distinguem de outras por possuírem sempre a sensação de totalidade, de pertinência, de completude, de dissolução do ego em algo maior, que poderia ser o nirvana, o moksha, o samadhi, o êxtase.
Aquelas que só as tem na infância ou as consideram como coisas de crianças, coisas de um ego frágil. ou como algo muito especial, uma experiência mística de união com Deus, com o Brâman e estas ficam melancólicas ou em agonia tentando te-las de novo. Esses momentos especiais podem ocorrer com adultos nas praticas meditativas, religiosas, artísticas, esportivas e no sexo, mas não dependem da vontade. Como outras sensações e sentimentos humanos ocorrem por movimento próprio e independem da determinação consciente.
Tendo ou não essas experiências, todos conhecem a agonia e o êxtase do apaixonado.

15 comentários:

manuel marques disse...

Há dois momentos na vida em que todo o homem é respeitável: na sua infância e na sua agonia .

Beijo.

CPI Brasil (Roy Lacerda/Editor) disse...

Amigos: na infancia,nem sempre. Muitos tiram o direito de ser criança.

AFRICA EM POESIA disse...

Angela

Deixo com carinho


CHEGUEI...

Cheguei aqui e parei...
Cheguei aqui e sorri...
Sorri com muita força...
Pois sei que aqui sou eu...

Aqui paro e escuto...
E sei que escuto o que eu gosto
E sinto o carinho que me cerca
E sei que é um querer de verdade...

Porque aqui...eu estou...eu fico...eu sou!...
E quando a amizade é de verdade...
Eu cresço e fico muito maior...

É por isso...
Que eu sou pequena...
Mas muitas vezes...
Me sinto "grande"-


Lili laranjo "Reticências apenas..."

angela disse...

Manuel
Deveriamos...
Beijos

angela disse...

Roy
É verdade Roy, mas isso não impede que elas sintam.
Abraços

angela disse...

Lili
Obrigada pelo poema.
Beijos amiga

Angela Guedes disse...

Oi Angela, tem brincadeira no meu blog pra você!!!
Espero que participe e um jogo literário.
Beijinhos
Ângela

Stella Tavares disse...

Adoro ler você. Fico mais ou menos como criança ouvindo histórias, aguardando pelo desfecho e se surpreendendo com ele. Começo lendo no primeiro post e sigo lendo. Não raras vezes leio outras vezes. Comungo de suas idéias.
bjos.

angela disse...

Fico feliz, de verdade.
Beijos

missosso disse...

uma das melhores coisas que li ultimamente, isto. relendo, concluo que plagiei coisas deste texto, sem perceber, em outro que escrevi -- escrever é mesmo plagiar. conscientemente ou não! parabéns e beijos

angela disse...

Missosso
Não sei quem plagiou quem.
Seu texto é divino.
beijos

Reino da Fantasia disse...

São as famosas viagens astrais que podem ser treinadas,também.Um belo texto! bjs

angela disse...

Reino
Isso mesmo.
beijos

O homem e a mente disse...

Toda esta capacidade é inerente ao ser humano, mas está limitada pela crenças do que é possível ou não. Este contacto poderá ser com a energia universal, com Deus, é quase como nos sonhos. Já tive e ainda tenho disto. :D

angela disse...

O homem...
Essa expansão da mente assusta, que bom que pode usufruir dela sempre.
Eu tenho pequeninas "viagens".
Obrigada pela visita e pelo depoimento.
Beijos