segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Pensamentos...











Pau Brasil e Acacias Rubras
(fotos retiradas do Google)

Hoje comemora-se o dia da independência do Brasil. Desde criança vejo desfiles militares e ouço exaltações das autoridades e apesar de achar que tenho uma visão crítica e cuidadosa com relação a essas histórias de nacionalismo, patriotismo, etc, a emoção me trai.Tenho um profundo medo desses pensamentos que nos dividem em países, raças, cores, religiões, pobres e ricos, cultos e incultos e quantas coisas mais quiser acrescentar.
Todavia não posso negar que sou pega pela emoção, muitas vezes, ouvindo uma musica, orgulhosa pela ação de alguém, raivosa quando ouço ou percebo o desprezo de outras nacionalidades, vem alguma coisa parecida com o que sinto pela minha família, sei dos defeitos, mas só nós podemos falar e tento ser muito cuidadosa e não falar dos outros com crítica, com julgamentos de valores, tento compreender, mesmo que não possa aceitar. Tem coisas que não consigo aceitar.
O que é tão essencial nisso que chamamos pátria que produz sofrimento quando se esta longe. A luz, os cheiros, a vegetação, a temperatura, a comida, a cultura e principalmente a linguagem, infinitas coisas que fazem com que eu tenha uma familiaridade com este espaço físico e essa população. O tal do apego que acaba por nos aprisionar.
Iniciei esse blog em Abril, duas coisas me fizeram chegar até aqui, uma o incentivo de um amigo que tem um blog que eu leio por gostar do que e como ele escreve e outra para distrair minha cabeça, andava pensando muito em um mesmo assunto. Li a não muito tempo um livro muito precioso que se chama "A louca da casa", de Rosa Montero. Um livro cheio de ideias e pensamentos originais sobre principalmente o processo de escrever. Vou falar de duas de suas ideias, que dizem respeito a todos que escrevem por absoluta necessidade interna.
A primeira é que escrever é uma obsessão como outras, um vicio, algo que nos toma como nos toma a paixão, quando se tem uma história na cabeça ficamos distraídos, nos enganamos, esquecemos das coisas como quando estamos apaixonados (estamos falando de paixão, não de amor), pensei em escrever para trocar de obsessão e devo dizer que deu certo e estou feliz por estar aqui escrevendo, o que nunca tinha feito antes.
A outra diz respeito a dor de perder. A autora faz um levantamento razoável das biografias de escritores e verifica que quase todos tem uma experiência precoce de decadência, dos seis aos doze anos e viram o mundo de sua infância desmoronar e desaparecer para sempre de maneira violenta. Violência essa causada por morte, guerra, ruína. Outras vezes a brutalidade é vivida de forma subjetiva e só a própria pessoa pode falar sobre isso e nem sempre o quer.
Conheço pessoas que escrevem maravilhosamente bem e que passaram por experiências muito difíceis, algumas delas oriundas de Angola e Moçambique. Outro dia li um texto sobre os "retornados", portugueses ou descendentes desses, que voltaram para Portugal depois da independência de Angola. O blog" África em Poesia", que é um bálsamo para a saudade e muitos outros que vou encontrando pela blogosfera. Toda uma geração de escritores gestados pela dor da perda.
Acrescento o poema de Lili, que gentilmente o postou nos comentários.
Acácias
Acácias…
Muitas acácias…
Rubras e lindas…
Lembram-me o sonho…
A vida e o amor…
E as acácias floridas…
Que o cacimbo da noite…
Beijava suavemente…
Sem pedir licença
Mas com muita meiguice
E ao fechar os olhos…
Acácias lindas
Da minha recordação
E da minha juventude
Aqui neste cantinho
Presto-te a minha
Singela homenagem!...

45 comentários:

Chica disse...

Lindo teu post e é verdade o que dizes.Em geral quando estamos longe da nossa terrinha, nos emocionamos muito ao ouvir música, hinos, até com a bandeira...Isso acho, é natural. beijos e um lindo dia,chica

tertulías disse...

Minha querida amiga, sobre o post lá nas tertúlias... eu sabia, sei que voce nao usaria aquela expressao daquela forma. Te conheco já muito bem e prezo muito nosso carinho, principalmente por voce ser esta pessoa linda, tao cheia dos cuidados pelos outros. Achei só que tinha "escorregado", de forma nao proposital(voce ve como meu portugues é arcaico????? ainda falo umas coisas "antigas"...) Nao precisava porém ter tirado o seu comentário... como eu posso tirar o meu? Nao sei como... Agora, deixe mais um recadinho para ela. Vai faze-la feliz!!!!!!! Beijo e muito carinho - sempre. Teu Ricardo
P.S.Depois volto para ler a tua postagem...

Stella Tavares disse...

Ângela, seus posts estão ficando a cada dia mais apurados, cristalinos, sensíveis, de uma delicada objetividade. Tratou linda e corretamente sobre a paixão, a expressão literária. Amei! Obrigada pelo sempre carinho.
Bjs
Ps: www.curabulalivroclube.blogspot.com é um espaço onde se fala sobre livros, autores, impressões particulares. Dá uma passada lá.

António Rosa disse...

Angela

Post brilhante e muito inspirado. Eu acredito que pertencemos a algo e isso não significa apego. Significa simplesmente identificação, prazer de estar, vontade de partilhar.

Grande beijo

angela disse...

Chica
Longe de casa é pior.
beijos

angela disse...

Ricardo
Não se preocupe mais com isso.
Aguardo seus comentários.
beijos

angela disse...

Stella
Obrigada pelos comentários.
Vou visitar o blog que citou.
beijos

angela disse...

Antonio
Escreveu com clareza, concordo com isso. Penso que a fronteira deve ser a vida e nenhuma outra.
beijos

Maria disse...

Belos textos, virarei seguidora se me permitires.

AFRICA EM POESIA disse...

fui operada à mão direita.
correu bem.

quando puder escrever volto beijinhos saudades

angela disse...

Maria
Obrigada e é um prazer te-la aqui
beijo

angela disse...

Lili
Espero que fique bem logo.
beijos querida

manuel marques disse...

passei de fugida.
Beijo.

angela disse...

Manuel
beijinho rapido

Mariana disse...

Angela lendo este post conheci um pouquinho mais de ti.E digo tu és especial, e privilegiado são os que contigo convivem.
Adoro tua visita.
beijos

Princesa disse...

Venho hoje muito tarde e muito rapido fazer uma visita e agradecer sua visita sempre com muito carinho

A prova mais clara de sabedoria

é uma alegria constante. ...Δ๑۩۞۩๑♥♡*´¯`*.¸¸.☆

@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@

O prazer dos grandes homens

consiste em fazer outros felizes...Δ๑۩۞۩๑♥♡*´¯`*.¸¸.☆

Beijinhos

angela disse...

Mariana
Obrigada, que bom que gostou do texto.
Gosto de Você.
beijo

angela disse...

Princesa
Sempre gentil.
beijos

A Magia da Noite disse...

a dor será sempre a bebida do poeta.

Norma Villares disse...

O essencial de uma Pátria é zelar pelos patriotas, todavia neste país nem patriotas temos, por conta de tanto sofrimento que os aflige, longe se encontra a noção de amor ao país. Não devemos perder as esperanças, e nos aprisionarmos nas inúmeras problemáticas, acredito e tenho fé num Brasil diferente. Nós podemos tudo, basta unirmos. Abraços

Marie disse...

amei o texto!!
nunca devemos perder a fé.

angela disse...

Marie.
obrigada.
beijos

angela disse...

Magia
Bebida por vezes amarga.
beijos

angela disse...

Norma
Não é facil viver aqui, mas é aqui que estamos, então vamos tentar fazer o melhor que der.
beijos

.Lis disse...

Angela,
É bom vir aqui.Seu texto agrada pela sinceridade,principalmente.Também desenvolvi esse espaço sem expectativas de fazer algo grande,, queria apenas passar mensagens de poesia e amor pra quem lesse.Está dando certo,estou fazendo lindas amizades.
Amo as palavras , nao sei dize-las assim arrumadinhas como os poetas e amo tambem os poetas entao citando-os , estou a homenageá-los e enfeitando a vida.
Lá fora, fica os noticiários quase sempre tristes e de pura revolta, nao os trarei pra cá.
Vamos fazer nossa parte, Angela e seguir com Fé.Existe esperança.
Abrços

AFRICA EM POESIA disse...

A
VIM DAR UM BEIJINHO

VOU MELHORANDO

PROCURA



Eu vou caminhando…
Caminhando sem parar…
Caminhando sem olhar para trás.

O andar é longo e espaçado
Porque não quero voltar…

Quero ir – procurar a luz…
Luz que me indique
Um caminho melhor…
Do que o que eu vou percorrendo…

E procuro a verdade…
E caminho para ela…
E procuro a justiça…
E tento abraçá-la…
Mas vejo a fome…
A guerra… e a dor…
E continuo a caminhar…
E a procurar…
Na ânsia de encontrar…
Um mundo melhor!...


Lili Laranjo

Chris disse...

E assim nos reencontramos neste pequeno mundo...
Um abraço
Chris

ANA CLAUDIA MARINHO disse...

Estou sem palavras.Divino tudo oque você falou.Essa postagem foi maravilhosa,Angela.Fiquei curiosa com o livro.E mais curiosa com a sua capacidade de comentar tão bem sobre o vicio da escrita.Me comoveu.
Beijos e tudo de bom pra você.


fui...

angela disse...

Lis
Você tem um lindo blog, feito com bom gosto e sensibilidade.
obrigada pelo carinho
beijos

angela disse...

Lili
Que bom que esta melhor.
Lindo poema.
beijinhos

angela disse...

Chris.
E quantos reencontros e encontros.
beijos

angela disse...

Ana
procure o livro, vale a pena le-lo, bem devargazinho para aproveitar tudo que ele tem.
beijos

Antonio Caldas Coni Neto disse...

Olá Ângela,
Gostei do seu texto.
A nossa pátria, os nossos vínculos, os nossos apegos. Morei fora um período e um dia eu me perguntei porque não consigo sentir este vínculo em qualquer lugar do planeta? E decidi exercitar o olhar amplo para nossa grande casa, o Planeta Terra. Mais adiante me senti voando, meio que sem raiz. E então me perguntei. Deve haver um equilíbrio? E sempre há. Já dizia Buddha, o caminho é o do meio. E então fui em busca de aceitar as minhas raízes, com todos os defeitos e qualidades para a partir desta aceitação amar a nossa casa, o nosso planeta. Aceitando e amando todas as suas ricas diferenças e possibilidades. Eu amo o Brasil. Eu amo a nossa casa. E o sete de setembro, independência ou não, o importante foi o sentimento de celebração de minhas raízes que experienciei no dia. O importante foi este sentimento. E eu amo escrever e gosto muito de passar por aqui.
Beijos,

Mariana disse...

Angela vim novamente te visitar, então aproveito para agradecer tua visita tão agradável no meu blog e desejar-te um dia iluminado por Deus e muito produtivo.
bjs

angela disse...

Antonio
Gostei do seu depoimento, nós humanos precisamos de raizes pra poder sonhar sem decolar.
beijos

angela disse...

Mariana
É sempre um prazer receber sua visita.
beijos

Daniel Costa disse...

Angela

A actividade bloguista é um mundo de alta sociologia, pelas experiências que se trocam entre as diversas sensibilidades.
Por exemplo a tua prosa é enriquecedora, é o que considero partilha de ideias.
Cada país ter a sua festa, em si não vai contra nada, é um dia de exaltação, é uma manifestação de amor pátrio. Outro exemplo é o do Brasil, considerada em Portugal exemplar a maneira como se tornou independente.
Não me atraem esse tipo de festas, mas penso que são uma maneira de puxar pela auto-estima do povo.
Eu próprio, como sabes vivi, a experiência de contra pró libertação, observei e anotei, se há coisas pouco certas, não me cabe culpa. A Pátria chamou e obrigou cumpri, como muitos milhares, é a Ela que devo exijir respeito.
Os adersários de ontem, amigos de hoje têm o direito de festejar a vitória por que lutaram.
Eu o direito a descrever, com verdade o que vivi e como vi, como observei e anotei.
Faço jornalismo, Procuro e anoto verdades.
Colho opiniões como a tua.
Com admiração e consideração.
Daniel

angela disse...

Daniel
Acompanho seus relatos com curiosidade e respeito. Não tenho duvidas sobre o dificil que é uma guerra. Gostaria que elas não existissem e que os conflitos fossem resolvidos como foi entre o Brasil e Portugal. O texto pretende falar sobre a relação entra a perda e o escrever.
beijos

Daniel Costa disse...

Angela

Confesso apreciada a reflexão, como tenho preciado todos os teus, que tenho lido, portanto achei o pensamento muito consistente.

Beijos
Daniel

AFRICA EM POESIA disse...

angela


o meu blog é de todos os meus amigos portanto tbm é seu... pode dispor dele á vontade


beijos



Lili Laranjo

AFRICA EM POESIA disse...

ACÁCIAS



Acácias…
Muitas acácias…
Rubras e lindas…
Lembram-me o sonho…
A vida e o amor…
E as acácias floridas…
Que o cacimbo da noite…
Beijava suavemente…
Sem pedir licença
Mas com muita meiguice
E ao fechar os olhos…
Acácias lindas
Da minha recordação
E da minha juventude
Aqui neste cantinho
Presto-te a minha
Singela homenagem!...





Lili Laranjo

angela disse...

Daniel
obrigada
beijos

angela disse...

Lili
que poema bonito, combinam com minha postagem.
obrigada querida
beijo

Karina disse...

Assim como diz Dorothy, do filme "O mágico de Oz" "Não há lugar como nossa casa." E o mesmo vale para nossa pátria. Nos sentimos em casa com a cultura, a comida, a vegetação e o idioma que temos. Tudo isso é parte de nós.

Eu sou uma dessas pessoas, que têm obsessão por escrever. Desde criança. Faço Jornalismo por causa disso também.

Ainda bem que você criou este blog! Tem um dom para a escrita como poucos!

Quero ler esse livro que você indicou, parece ser muito bom!

Beijos!

angela disse...

Karina
Obrigada por ter lido meu blog quase todo.
O livro é dos melhores que já li, se puder ler vai gostar, ela é jornalista e psicóloga.
beijos