sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Alguma ironia.


Aninha nasceu bonitinha, bem feitinha, como diriam seus avós. Veio em boa hora, deu sentido à vida de D.Maria e de Seu José.

Cresceu sentindo que era uma pessoa especial, boa aluna, arrumadinha, discreta, a filha que todo pai queria.

Namorou alguns rapazes e teve uma paixão pelo Jorge, que era piloto. Lindo em seu uniforme e disputado por todas as moças. Namoraram perto de dois anos, mas ele a abandonou. Ficou ferida, principalmente no orgulho, não suportava a ideia de ter sido abandonada. Empertigou-se e não namorou mais ninguém, achava todos os homens pequenos demais, tinham que ser superiores ao Jorge e nenhum era.

No decorrer dos anos foi encontrando a solidão, as amigas casaram-se e tinham outros afazeres e outros interesses, os pais morreram, não tinha irmãos. Sobraram alguns tios e primos.
Resolveu mudar-se para a praia, adorava o mar e fez novas amigas, solteiras como ela, e até que se divertiam bem. As amigas namoravam uma até se casou e sempre estavam interessadas em alguém, mas ela estava tão fechada que nada acontecia.

Na sua solidão sonhava com um escritor que admirava muito e criava lindos encontros, era o seu namorado de sonhos, e tanto sonhou que em alguns momentos acreditava que isso era verdade.

Será que não se encontravam no meio do sonho? Quem poderia garantir que não? Tem tantos mistérios na vida...

Foi se convencendo e acabou contando para uma amiga e depois para outra e todas ficaram sabendo que ela namorava M. não acreditavam, mas não queriam desmenti-la. Quando questionada por que ele não aparecia, sempre tinha uma resposta pronta, às vezes sumia por alguns dias e dizia que tinha ficado com ele e que não poderiam aparecer juntos, pois ele era casado.

As amigas não acreditavam, mas toleravam, não queriam brigas e no fundo se divertiam com toda aquela imaginação.

Acontecia de algumas noites ela não conseguir sonhar e a solidão entrava e quase a matava de dor, chorava a noite toda até dormir de cansaço.

Aninha como boa moça que era participava das obras de caridade da igreja e duas vezes por semana servia a sopa dos pobres na paróquia.

Apiedava-se daqueles que a vida abandonou e daqueles que abandonaram a vida. Era admirada por todos, sempre alguém falava de sua delicadeza, de suas roupas bonitas e isso era tudo que precisava.

Conversava com todos e ia conhecendo suas histórias. Foi assim que conheceu João, moço que perdeu emprego, foi roubado, ficou sem dinheiro, sem amigos, sem casa, sem nada e agora vivia de pequenos bicos e da caridade alheia. Era uma história até que comum por ali, mas ele a olhava como seu pai o fazia e Aninha resolveu ajudá-lo.

Levou-o para sua casa para que tomasse banho, cuidou de suas pestes, deu-lhe de comer e bem... Para encurtar a história de namorada delirante de M., escritor consagrado, vivia agora na companhia de João.

50 comentários:

Julimar Murat disse...

Oi Angela

Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força de sua alma, todo o universo conspira a seu favor.
Goethe

Um grande beijo
julimar

Renato Fierce disse...

Um conto muito belo, e moderno, estou esperando meu "Joao" aparecer em meio chagas, talvez alguem com o coração pior que o meu conseguirá fazer eu querer cuidar, para amar, e ser amado... adorei.

Irene Moreira disse...

Angela estou aqui retribuindo a sua visita e coimo gostei de sua história "Alguma Ironia". Adora ler histórias e algumas vezes até escrevo, pois a minha imaginação vai longe, como é bom sonhar de vez em quando sem exagero... Que bom que sempre encontramos um João para ser nosso companheiro. Já estou te seguindo para acompanhar as suas histórias. Beijos e Bom final de semana

João Videira Santos disse...

Interessante este conto. Gostei.

A Magia da Noite disse...

às vezes a mente espera que o coração alcanse a glória que esta não consegue.

Chica disse...

Lindo conto e de tanto sonhar, apareceu um amor para cuidar.beijos,chica

Tertúlias... disse...

Que conto mais poético.Amei!!!!!!!!!!! Voce, hein querida? Sempre maravilhosamente inspirada!

Daniel Costa disse...

Angela

O teu conto é muito interessante, Maria estava predestina a salvar uma alma de morrer à míngua de calor e de amor. Lição que valorisa o dito: "Até aos vinte amo quem eu quiser, dos vinte aos vinte e dois, quem me quiser a mim, depois dos vinte e dois venha quem vier"

Falando da saga do Onofre, ia continuando a aventura. O rapaz usufruia duma enorme capacidade de sofrimento, desde os 17 anos no Oeste de Portugal, pertencia ao grupo restrito dos homens de mãos grandes. Trabalhar no campo, de sol a sol, quando se trabalhava mesmo, fora daquele grupo, ninguém tinha capacidade o de acompanhar. Ali, mesmo com os contratementos, considerava férias e confiava chegar a Luanda, a tempo de apanhar o barco para Lisboa.
Beijos,
Daniel

Mariana disse...

Que história!
Forte, cheia de sentimentos e forças.
gostei muito.
Tenhas um lindo fim d semana.
bjs

Rimbaud no Café de Flore disse...

Olá; esta é (parece-me) uma história, construída sofre a diferença positiva (...)a generosidade, a ética, o nós sobrepondo-se ao eu, a solidariedade como chão dos afectos, a emergência de fugir nas "asas" de um idealismo de uma realidade por vezes, muitas vezes, punitiva e imcompreensível.
Viva a Aninhas

Rimbaud

Nota: este é o meu blog:http://rimbaudcafedeflore.blogspot.com/, se o quisers visitar

missosso disse...

O amor é assim, atrapalhado e vesgo, atira para o céu e acaba acertando algum pássaro desgarrado. Bela história, cheia de voltas como sói ser a vida. bj

manuel marques disse...

A vida prega-nos cada partida! conto gostoso querida amiga.

Beijo.

angela disse...

Julimar
Bonito isso que escreveu.
beijos

angela disse...

Renato
Penso que cuidar do outro é sua vocação e você vai encontrar seu amor.
beijos

angela disse...

Irene
Um prazer te-la aqui.
Obrigada
beijos

angela disse...

João
Obrigada.
beijos

angela disse...

Magia
Em materia de amor, só o coração pode alcançar a gloria,
beijos

angela disse...

Chica
Apareceu um amor.
beijos

angela disse...

Ricardo
Obrigada, mas inspirados são seus post.
beijos

angela disse...

Daniel
Muito bonita essa imagem de mãos grandes, alguma hora vou usar esta expressão.
Beijos

angela disse...

Mariana
Obrigada e um bom fim de semana para você.
beijos

angela disse...

Rimbaud
Obrigada pela leitura atenciosa.
beijos

angela disse...

Missosso
Quando acerta algum passaro é bom, duro é quando volta para gente mesmo.
Obrigada pela visita.

angela disse...

Manuel
E a gente ainda acha que controla alguma coisa...rs
Bom fim de semana
beijos

Tyna disse...

Oi queria Angela...

Nossa mulher, estou quase como Aninha, em sonhos, mas me falta um João! rsrsrs


Beijos

angela disse...

Tyna
Não se preocupe o João chegará.
beijos

Olavo disse...

Otimo conto...e acontece muito..
Creio que sempre epara tudo existe a hora certa.
Muito bom aqui.
Beijo.

angela disse...

Olavo
Prazer em te-lo aqui.
obrigada pelos comentários.
beijos

.Lis disse...

Angela
Um conto que dá esperança a quem procura ainda por um amor. Há sempre os entremeios na nossa vida e são sempre capazes de nos fazer entendera esperar calmamente o verdadeiro amor.
Sem ironia okey ? rsrs
Abraços, amiga, muito bom seu conto.
Obrigada pela preseça carinhosa e bom domingo.

angela disse...

Lis
Que bom que gostou.
beijos

Sandra Botelho disse...

E que seja doce e eterno.Que derramamento de sentimentos.
Amei...
BJos doce e querida amiga.

angela disse...

Sandra
Obrigada.
beijos

Carlos Bayma disse...

Ângela
Selo HiStO é HiStÓrIa para você!
Vá ao Blog Koyaanisqatsi
http://koyaanisqatsi-cb.blogspot.com
Carlos Bayma

Lauci disse...

Lindo texto, Angela. Aninha encontrou sua alma gêmea.
Um beijo

E.T. Angela, recebi um selinho da minha amiga Luísa, do blog multivias, e estou te oferecendo . Esse selo está rodando o mundo. Veio da Malásia e é muito fofo. Você pode pegá-lo na minha lista de selinhos. É um que traz uma canequinha cheia de rosas com as seguintes frases, em inglês: "Rosa é uma flor que vive por uma hora"."A amizade é uma torre que vive para sempre".
Bjs

angela disse...

Carlos
Obrigada pela gentileza.
beijos

angela disse...

Lauci
Obrigada pela visita e pelo presente.
beijos

Marcia disse...

Olá amiga,
Amiga, veja se entendi bem entendi o conto... Aninha tinha um namorado que só existia na imaginacao dela... Entao ela precisou trabalhar o seu orgulho. E se dedicando aos menos favorecidos conheceu seu verdadeiro amor. Mas a vida é assim, está sempre nos trazendo uma licao.
Agradeco a sua visita e deixei um recadinho para você.
Tenha um lindo final de semana!
BEIJOS;
Márcia

angela disse...

Marcia
Obrigada pela leitura atenciosa.
Beijos

Maria José disse...

Angela. Quando o pensamento se abre para a concretização de um sonho, ele se realiza. Amei a história. Beijos, amiga.
Não sei se aqui é o momento, mas consegui adicionar este tipo de slide no meu blog para passar os selos que recebi de presente. Só não sei como adicionar selos novos ao mesmo slide. Você pode me ensinar? Beijos.

Tyna disse...

Angela linda,
Sobre seu comentário lá em meu canto, sim vc tem toda razão, o que nos faz bem devemos nos manter perto... Não abandonarei,mas quando faltar inspiração, eu leio e comento... semrpe que der!


Beijo grande menina linda

Conceição Duarte disse...

Os caminhos da vida, nem sempre parecem andar em linha reta...
bjbjbjbjb CON

angela disse...

Maria José
É preciso estar aberto.
Quanto ao slide, tenho o mesmo problema..rs
beijos

angela disse...

Tyna
A vida já é cheia de obrigações, não precisa acrescentar uma mais uma. Escreva quando puder e quiser,
beijos

angela disse...

Conceiçao
Acho que dificilmente andam em linha reta..rs
Obrigada
beijos

Silvio Koerich disse...

"Empertigou-se e não namorou mais ninguém, achava todos os homens pequenos demais, tinham que ser superiores ao Jorge e nenhum era."


Rs fato, fato e fato.

Gostei dessa história meio que um conto moderno da mulher moderna.

Grande Angela.

angela disse...

Silvio
Obrigada por ler meu conto, melhor ainda que gostou.
beijos

Humana disse...

Olá Angela,
um conto que pode ser tido como lição.
Aliás histórias destas acontecem mesmo, quando se deseja um ser que idealizamos em vez de um ser real. Ainda bem que esta história teve um final feliz. :D
Beijinhos e obrigada pelo carinho que retribuo.

angela disse...

Ana
Acontecem mesmo e muito.
Obrigada pela visita
beijos

Karina disse...

A companhia real acabou por substituir a imaginária. Só não se sabe por quanto tempo né...

Vai ter uma segunda parte? Fiquei curiosa pra saber o que aconteceu depois! Será que ela conseguiu esquecer M.?

Beijos!

angela disse...

Karina
Ainda não tinha pensado nisso, mas vou pensar...quem sabe uma segunda parte.
beijos