quinta-feira, 30 de julho de 2009

O CORPO (Parte I)


Vera era uma morena bonita, destas que se cuidam bastante, cabelo sempre arrumado, unhas feitas, nem sonhar sair de casa sem batom. Muitas vezes chegava atrasada aos lugares por que ficava se arrumando, acertando a roupa, etc. principalmente naquelas epócas que ganhava peso. A teoria da sanfona poderia ter sido inspirada nela. Tinha períodos em que quase não comia e quanto menos comia menos queria comer, quando a fome passava até que era gostoso, dava uns baratos e o melhor era que sentia-se bem disposta, bonita. Sem mais nem menos tudo invertia, comia tudo que lhe passava pela frente, acordava a noite para comer, sempre tinha doces na bolsa, não podia nem pensar em passar fome, então já se garantia comia antes de sair e levava um lanchinho por vias das duvidas. Era ótimo devorar barras chocolate, tinha muito prazer comendo, mas acabava por ficar meio preguiçosa, as noites mal dormidas ajudavam a ficar mais parada, via TV, lia, fazia qualquer coisa para passar o tempo, de certa forma comia o tempo. Claro, engordava a roupa não servia mais e tudo contribuía para ficar em casa. sempre tinha algum chato para sugerir uma dieta milagrosa, ou ouvia indiretas sobre gordas, isto quando não, direta mesmo.
As amigas magrinhas que inferno! E ai queria morrer, ficava pensando na morte, aquele viaduto perto da casa seria tão fácil pular. O pior é que ela não tinha a menor ideia de como passava de um ponto para o outro, da fome para a inapetência, do gostar de si para o gostar da comida, não tinha nenhum controle sobre o que acontecia com ela e isto era desesperador. Tentou varias coisas, mas nada deu muito certo, ela não conseguia manter a constância necessária para solidificar o que ia aprendendo.
Um dia chegou em casa e a tristeza estava instalada, seu primo estava muito doente, tinha tomado um anti-inflamatório e seu fígado não resistiu, tinha uma hepatite medicamentosa e o único jeito seria um transplante.
O medico explicou os riscos (0,02% para o doador), mas havia intrincados problemas de compatibilidade. Resumindo depois de muita pesquisa, ela poderia ser a doadora. Não pensou muito, fez os exames e antes que se desse conta a operação já tinha sido realizada.
Precisou ficar um tempo internada, a cirurgia é de grande porte e neste período sofreu um tanto e viu muitas pessoas com problemas graves. Aquilo era muito assustador para ela.
Um dia quando já tinha começado a andar pelos corredores, notou um silencio intenso, foi até o posto de enfermagem, o medico de plantão estava lá. Estava tudo muito estranho, as pessoas se mexiam com cuidado, ninguém falava, ela perguntou baixinho para ele o que estava acontecendo e ele lhe respondeu sussurrando: Estão fazendo agora!
Ela entendeu que um transplante estava sendo realizado naquele momento e ficou emocionada e juntou-se ao respeito e reverencia quase que religiosa de todos, por aquele ato que de certa forma permitiria o renascimento de alguém.
Depois de um mês Vera voltou para casa e tentou retomar sua vida, mas as coisas estavam estranhas, ela estava diferente, não se reconhecia mais.Não devido a cicatriz que a cortava ao meio, grande, feia, mas por não se importar com ela. Seu corpo tinha valor.
( obra de Gauguin)

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Sufoco

(escultura de Antony Gormiley)
A noite estava mais quente do que Ana supunha, o ar condicionado do Shopping deixou o ambiente quente, abafado, para quem tinha saído esperando mais frio. Entrou no carro e saiu rapidinho, abaixou o vidro e deixou o ar entrar. Bom demais! Aquele calor foi saindo e ela reparou que a noite estava bonita o bem-estar foi tomando conta de seu corpo e suspirou meio que aliviando o coração.
O ter se livrado do calor, não sabia bem por que, a fez lembrar daquela mulher estranha que falou com ela na fila do caixa do super mercado. Chovia torrencialmente e a metereologia dizia que iria esfriar. O calor desmentia o inverno e até algumas plantas floriam fora de época, pensando já ser primavera. A mulher falou do tempo e da chuva forte, parecia ansiosa por conversar, mas na verdade, cada vez que Ana tentava fazer um comentário ela dizia que não era aquilo e dava longas explicações que deixavam Ana meio tonta sem conseguir pensar direito. A fila andou, mas a chuva a deixou prisioneira daquela conversa aborrecida, não conseguia se livrar, a mulher ia falando e a deixava meio hipnotizada. O sufoco era o mesmo,(acho que por isso se lembrou dela) mas não tinha janela para abrir e deixar a fresca entrar, pelo menos demorou para encontra-las. Acho que foi quando reparei que ela não olhava nos meus olhos, pensou Ana.
O olhar dela passava reto, não fixava no seu, mas Ana sabia que ela não perdia um movimento por menor que fosse, parecia um felino que controla sua presa de longe, o mal-estar foi tomando conta dela achou que iria histericar. Foi aí que o pensamento se instalou. O que se passava com aquela mulher.? Ela não olhava, mas via. Falava e só escutava para contestar. Suas histórias eram das desgraças que aconteciam com os outros e de como ela os ajudava, parecia ter um gosto meio morbído pelas dores dos outros e o pensamento foi ficando mais claro. Compreendeu a imensidão do isolamento daquela mulher, arrepiou só de imaginar o tamanho da solidão e da inutilidade que deveria estar naquela vida, que só despejava, só ia para fora, nada metabolizava ali. A compaixão foi tomando conta de seu coração, o sufoco desapareceu e Ana ficou ouvindo até ela cansar de falar e ir-se embora como chegou. Sem nada a mais.

sábado, 25 de julho de 2009

RECEBIMENTO DE SELO/PRÊMIO

Recebi da equipe do blog CPI BRASIL www.cpi-brasil.blogspot.com/ o selo acima. Agradeço a lembrança e indico os sites abaixo que mais visito.
1) Constância vila poema.
2)Osho
3) Africa em Poesia
4)Angela Guedes
5)Manual do inseguro
6) Conceição Duarte
7)Mar Sol e Lua
8)Fitness
9) A magia da noite
10) Cova do Urso
Regras:
a)-Exibir a imagem do seloem local de destaque. b)Postar o linl do blog que indicou(importante). c)-Indique 10blogs de s/ preferência e avise aos indicados, publicando as regras. d)-Confira se os blogs indicados repassaram o selo e as regras.

Selo comemorativa da Lili

recebido de http://africaempoesia.blogspot.com

terça-feira, 21 de julho de 2009

Como será nosso super-heroi?



Algumas quintas atrás lia, como costumo fazer, a coluna de Contardo Calligaris no Jornal "A Folha de São Paulo", quando me deparei com uma frase dele que me remeteu á conversas inquietantes que escutei nos anos passados. A frase em questão era: "Há bandidos de sucesso, mas você já imaginou contar para amigas e vizinhas que seu filho está na lista dos dez mais procurados pela polícia federal?" e discorrendo sobre o mito do herói americano conclui que: "Obama não é só o homem que muitas mães gostariam que seus meninos fossem mas também o homem com quem elas gostariam de casar."
De que pessoas ele fala? Este talvez seja o desejo de muitas mulheres.Talvez seja o homem que ele gostaria de ser..
E me lembrei daquelas mulheres que escrevem cartas aos presidiários, aos "bandidos da luz vermelha", "maniacos do parque" e seus pares. Cartas propondo casamento, cartas redentoras, dirigidas a homens isolados de outras mulheres (como será que esta agora com a Internet e o telefone celular?). ou daquelas jovens de quinze ou dezesseis anos querendo e muitas vezes engravidando na tentativa desesperada de ter algum projeto na vida que não seja o trabalho duro e sem perspectiva. Qual o ideal daqueles jovens que acham que devem tirar de quem tem mais, mesmo que seja violentamente, que arrastão está muito certo, tem que tirar de quem tem mais e isto não é uma conversa de grupos de esquerda, é conversa de jovem que tem como ideal o consumo, a grife, o carrão, etc e não o do herói batalhador, preocupado com as causas sociais que nossas mães de classe media adorariam ter como genros (será que adorariam?). Não prefeririam um jogador de futebol bem sucedido?
São coisas que ouvi, e me foram contadas pelas próprias pessoas, como o fez uma mãe certa vez, reclamando que tinha que ter mais um trabalho para sustentar o filho na cadeia sem que ele apanhasse, por que "bundinha que ela tinha passado talquinho, nenhum marmanjo iria surrar" e que odiava policia, que eram todos ladrões. e ela odiava ladrões. Perguntei o que o filho dela tinha feito para ser preso e ela me disse que ele tinha bebido muito, pegou a arma comprada a pouco tempo e saiu atirando. Matou um e como estava "chapado" acabou preso e condenado.
Não consegui falar nada. Roubar dinheiro é feio, roubar uma vida é nada, é acidente. Quando temos muito mais jovens pobres morrendo de forma violenta , que qualquer outro segmento social, que acabam deixando um monte de viuvas Porcinas (aquela que foi sem nunca ter sido), falar o que? Pensar que o modelo de ideal americano nos contamine positivamente...
Um grupo de esquerda, nos anos 70, pegou uma parte do dinheiro (não lembro se de roubo ou resgate) e comprou mantimentos e saiu distribuindo pelas favelas, todo mundo gostou. O narcotrafico aprendeu direitinho e se somarmos esta "proteção" ao medo e o poder oriundo dele, temos gestado um outro ideal, mais consistente e muito distante do imaginado pelos otimistas.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

O Revoar dos Pássaros ao Anoitecer


A grama estava vermelha, faz tempo que não chove, nem uma garoinha, nada. A poeira vermelha foi tomando conta da paisagem, tudo ficou com a cor do solo, a casa avarandada, a casinha do administrador, a igrejinha, o curral, tudo sem exceção, até o gado estava meio vermelho.
O ar seco aumentava a preguiça, a vontade era ficar lendo na rede da varanda, mas antes resolveu ir até o açude nadar um pouco, quem sabe sentiria-se melhor. Aproveitar enquanto tem água , se continuar assim daqui uns dias só terá lama.
Vestiu um maio por baixo do vestido , calçou os chinelos e lá se foi ela em direção ao açude.
As crianças chupavam mangas em baixo da árvore, tinham os braços e a boca lambuzados, logo perceberam a intenção de Laura e foram se juntando felizes, não perderiam um banho no açude nem que a vaca tossisse, não podiam ir sozinhos, mas com um adulto...
Quando chegaram já eram 4 meninos e três meninas, animados e excitados, mais a cachorra Sugar. Laura foi dando as instruções, não queria ninguém machucado e nem deveriam brigar.
Ouviram impacientes as instruções, mexendo as pernas e a as mãos, prontos pra cair na agua, e foi o que fizeram assim que ela parou de falar. Ouviu-se um grito só e já estavam todos na agua, inclusive Laura. Nadando, saltando, mergulhando, boiando. Ah como é bom nadar com este calor!
Laura cansou-se e foi para o pequeno deck deitou-se e ficou olhando aquele céu maravilhoso, sem uma nuvem, claro, límpido, brilhante e pensou que a noite seria explêndida. Mesmo sabendo que tudo sofria com aquela estiagem não conseguia deixar de apreciar a beleza desses dias.
O sol começou sua descida e um bando de pássaros começou a voar em direção ao poente. O céu e a terra tinham quase a mesma cor, percebia-se ao longe a linha do horizonte, quase que como uma risca no cabelo. E ela pensou que os pássaros voando ajudavam saber o que era céu o que era terra, as crianças deitaram ao seu lado e se aquietaram felizes enquanto o dia acabava.

domingo, 19 de julho de 2009

Quase ...


Estava assim...
Meio cansada...
Mas relaxada...
Nem bem, nem mal...
Nem feliz, nem infeliz...
Nada a reclamar...
Nem a desejar...
Meio que quase ...
Virada em dois..
De dentro para fora.
(pintura de Dali)

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Gratidão


O ar ficou rarefeito, ela pensou que iria desmaiar como uma donzela. Coisa mais chata! Ainda bem que estava sentada, mesmo assim as pernas estavam fracas.
Que agonia! Tentou respirar enquanto seu coração pulava como se estivesse com soluço. Sorte não ver o próprio rosto, senão ficaria vermelha como um pimentão.
Uma mulher da sua idade! Como podia isto estar acontecendo? Sentindo como uma adolescente que pressentisse que levaria o fora do primeiro namorado, nem que o tivesse flagrado com outra estaria mais assustada.
Ficou paralisada, sem palavras, não mexia um músculo sequer, nem conseguia ouvir direito o que ele falava. Entendia do que se tratava pela dor que sentia.
Esperou ele sair e desmontou, chorou um bocado, enxugou o rosto, foi até a janela, respirou fundo o ar que vinha do mar e deixou seus olhos descansarem no horizonte.
Pensou que a dor iria passar, isso ela tinha aprendido, passaria! Um certo alivio a consolou quando pensou isso e, enquanto tentava refazer a conversa percebeu que uma onda de juventude tinha, e ainda estava, remoçando seu coração. Aprendeu naquele momento que nada é pior que não sentir e ficou grata afinal.
(pintura de Dali)

domingo, 12 de julho de 2009

Entre a não existência e o desaparecer para sempre


Marcia dirigia seu carro, meio desagradada. Não bastasse o transito difícil de São Paulo ela se dera o luxo de errar a rodoviária. Foi para a da Barra Funda, quando deveria ter ido para a do Tiête. Pensava se o engano significava alguma coisa. Culpa, talvez?
Ela estava indo buscar seu "caso", que vinha de Curitiba para vê-la. Havia dado uma desculpa em casa e lá estava ela tentando entender o que fazia ali. Seu casamento era bom, o marido gostava dela, as coisas estavam indo bem e ai um dia a insatisfação apareceu. Não entendia o por quê e ninguém entenderia. Todos diriam:" Insatisfeita com o que?' "Você não tem o que reclamar!", mas algo começou a faltar e ela não conseguia saber o que era. Maldito movimento, as coisas nunca se estabilizam dentro da gente por muito tempo e ai começam a se mexer e a incomodar como areia no olho. Impossível de esquecer!
Aí arrumou este amante, amigo de outros tempos. Eles se reencontraram por acaso em uma agência bancaria, os dois já em idade madura. Ficaram fazendo companhia um para o outro enquanto aguardavam atendimento e tentaram por em dia o que sabiam dos amigos comuns e os acontecimentos de muitos anos.
A conversa transcorria agradável e resolveram tomar um café, foram para o "Franz" e entre muitos cafés a conversa foi ficando mais intima, falaram de si e de suas famílias. Foi uma tarde muito gostosa e Marcia percebeu que estava alegre, rindo á toa, como nos tempos da Faculdade. Chegou a hora que precisou voltar para casa e trocaram telefones e e-mail. Carlos ficou de procura-la quando retornasse a São Paulo.
Os e-mail começaram tímidos, tipo: ""Como você esta? Assisti um filme muito bom, quando passar aí, não perca, etc". foram se tornando mais íntimos, mais confidenciais e mais maliciosos. Bem...quando ele retornou começaram o "caso" . A insatisfação de Marcia desapareceu, seu pensamento estava ocupado com os e-mail, os telefonemas e os encontros e assim foi por três anos e agora lá estava ela passando por baixo do viaduto Antartica, retornando para pegar Carlos no metro, seu engano não dava para ser corrigido sem perder muito tempo e tinham resolvido que seria melhor ele pegar o metro e ela o buscaria na estação Consolação.
O transito estava realmente lento e Marcia seguia pensando e observou alguns volumes embaixo do viaduto, sabia que eram pessoas dormindo enroladas em cobertores, a noite estava fria. Lembrou-se do incêndio que havia acontecido alguns anos atrás e que deixou o viaduto interditado por um bom tempo, muita gente morava ali e tinham acendido um fogo para se aquecer (se a memoria não estiver falhando) e pensou que esta situação só tinha piorado, cada vez tinha mais gente morando na rua e isto a deixava triste. Neste instante viu um rapaz andando com uma mochila nas costas e um outro saiu do meio do cobertor andando meio trôpego e com a precisão de animal predador arrancou a mochila das costas do rapaz, que quando entendeu o que acontecia ele já estava longe do outro lado da rua. O rapaz colocou as mãos na cabeça e com o olhar espantado e desesperado fez menção de correr atrás. O transito deslanchou bem naquele momento e os carros começaram a andar impacientes e Marcia teve que seguir sem saber como iria acabar esta historia, mas também não sabia como iria terminar a sua.
Pensou que importância teria isso daqui três gerações? Será que algum bisneto saberia seu nome? O bisneto do rapaz saberia que ele foi roubado embaixo do viaduto? Pensou que o grande manto do esquecimento estava reservado para eles, pessoas comuns. A insatisfação voltou a instalar-se dentro dela.
(pintura de Dali)

quinta-feira, 9 de julho de 2009

JOGO LITERÁRIO

A Angela do blog http://angelabeneguedes.blogspot.com/

convidou a participar de um jogo muito interessante. Consiste em escrever o quinto parágrafo ou frase da pag. 161 do livro à sua escolha, e em seguida convidar outros amigos para fazer o mesmo. Junto à postagem, deixe o link de quem o convidou para participar.

Aqui vai:

- Escreva sobre Rebeca
- Pai!
Ele usou o tom de voz que a gente usa pra repreender um tio bêbado que quer pegar o carro da família para dar um giro na noite.

O Clube do Filme
de: David Gilmour

Meus convidados:

1) Casos ligeiros http://casosligeiros.blogspot.com/
2) A Teia Azul http://ateiaazul.blogspot.com/
3) Babel http://peresmarisa.blogspot.com/
4)Cronicas minhas http://marinhoanaclaudia.blogspot.com/
5) Me atrevo a escrever http://meatrevoaescrever.blogspot.com/
6)o perdedor mais foda do mundo http://silviokoerich.blogspot,com/

"Folha Dobrada"

Hoje é feriado em São Paulo, comemora-se o inicio da Revolução Constitucionalista, que foi derrotada pelas forças federais do ditador Getúlio Vargas. A guerra foi perdida , a ideia não.Dois anos depois uma assembleia constituinte promulgava a nova constituição.

Os estudante de direito da Faculdade de São Francisco desempenharam um papel central nesta luta. Não gosto de guerra nem de ditaduras.

Quando se sente bater
No peito heróica pancada,
Deixa-se a folha dobrada
Enquanto se vai morrer...

(versos de Tobias Barreto, no Monumento ao Soldado Constitucionalista, nas Arcadas. A “folha dobrada” são as páginas marcadas dos livros, do estudo interrompido, que seria retomado)

Algumas outras versões brincalhonas que foram sendo feitas no decorrer dos anos (são muitas):

A moça disse pra outra
Com esse eu não me arrisco
Pois ele estuda Direito
No Largo de São Francisco

Não sei se é fato ou se é fita,
Não sei se é fita ou se é fato,
O fato é que ela me fita,
Me fita mesmo de fato.

Parece mentira parece
Mas é verdade patente,
Que a gente nunca se esquece
De quem se esquece da gente

Os homens são uns diabos,
não há mulher que o negue,
mas todas elas procuram
um diabo que as carregue

Quando saí lá de casa
meu pai me aconselhou:
"Meu filho, nunca se case,
seu pai nunca se casou"

Garçom tira a conta da mesa
E põe um sorriso no rosto
Seria muita avareza
Cobrar do XI de Agosto

segunda-feira, 6 de julho de 2009

FELICIDADE



Não sei porque estou tão feliz
Não há motivo algum pra ter tanta felicidade
Não sei o que que foi que eu fiz
Se fui perdendo o senso de realidade
*
Um sentimento indefinido
Foi me tomando ao cair da tarde
Infelizmente era felicidade
Claro que é muito gostoso
Claro que eu não acredito
Felicidade assim sem mais nem menos
É muito esquisito!
*
Não sei porque estou tão feliz
Preciso refletir um pouco e sair do barato
Não posso continuar assim feliz
Como se fosse um sentimento inato
Sem ter o menor motivo
Sem uma razão de fato
*
Ser feliz assim é meio chato
As coisas nem vão muito bem
Perdi o dinheiro que tinha guardado
E pra completar depois disso
Eu fui despedido estou desempregado
*
Amor que sempre foi meu forte
Não tenho tido muita sorte
Estou sozinho sem saída
Sem dinheiro sem comida
E feliz da vida
*
Não sei porque estou tão feliz
Vai ver que é pra esconder no fundo uma infelicidade
Pensei que fosse por aí
Fiz todas terapias que tem na cidade
A conclusão veio depressa
Sem nenhuma novidade
Meu problema era felicidade
*
Nem fiquei desesperado
Fui até, bem razoável
Felicidade quando é no começo
Ainda é controlável
*
Não sei o que que foi que eu fiz
Pra merecer estar radiante de felicidade
Mais fácil ver o que eu não fiz
Fiz pouca coisa aqui pra minha idade
Não me dediquei a nada
Tudo eu fiz pela metade
Por que então tanta felicidade?
*
Dizem que só penso em mim
Sou muito centrado
Que sou egoista
Tem gente que põe meus defeitos
Em ordem alfabética
E faz uma lista
Por isso não se justifica
Tanto privilégio de felicidade
*
Independente dos deslizes
Dentre todos os felizes
Sou o mais feliz
*
Não sei porque estou tão feliz
E já nem sei se é necessário ter um bom motivo
A busca de uma razão
Me deu dor de cabeça
Acabou comigo
*
Enfim eu já tentei de tudo
Enfim eu quis ser conseqüente
Mas desisti
Vou ser feliz pra sempre
*
Peço a todos: com licença!
Vamos liberar o pedaço
Felicidade assim desse tamanho
Só com muito espaço".

Luiz Tatit (poeta)
(imagem retirada do google)

domingo, 5 de julho de 2009

Algumas considerações sobre Agonia e Êxtase

Estava tomando vinho com alguns amigos e a conversa rolava solta quando uma amiga começou a recordar-se de uma passagem de sua infância.
Contou ela que quando menina morava em uma casa com um quintal muito grande, quase uma chacara e que nas noites quentes ela gostava de deitar-se na grama e olhar as estrelas no céu. Tinha a sensação de que as estrelas estavam no chão e ela no céu, na verdade não existia em cima e em baixo, direita ou esquerda. Contou que tinha a sensação de pertencer a uma totalidade e que aquilo tinha sido tão magico e maravilhoso que ela estava em busca dessa totalidade o tempo todo.
Ouço histórias assim, muitas vezes, e estas sensações estranhas: viagem pelas estrelas, desdobramento do corpo, etc, acontecem. São comuns na infância e se distinguem de outras por possuírem sempre a sensação de totalidade, de pertinência, de completude, de dissolução do ego em algo maior, que poderia ser o nirvana, o moksha, o samadhi, o êxtase.
Aquelas que só as tem na infância ou as consideram como coisas de crianças, coisas de um ego frágil. ou como algo muito especial, uma experiência mística de união com Deus, com o Brâman e estas ficam melancólicas ou em agonia tentando te-las de novo. Esses momentos especiais podem ocorrer com adultos nas praticas meditativas, religiosas, artísticas, esportivas e no sexo, mas não dependem da vontade. Como outras sensações e sentimentos humanos ocorrem por movimento próprio e independem da determinação consciente.
Tendo ou não essas experiências, todos conhecem a agonia e o êxtase do apaixonado.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Fazer o que?


Tem horas que a gente se pergunta por que começou a fazer determinada coisa, claro que, quando as coisas não tem o resultado esperado.
Há um tempo atrás li um livro de Rosa Montero, intitulado "A casa da Louca". É um livro muito especial que fala sobre a imaginação, a paixão, a loucura e o ato criativo de escrever, em dado momento ela discorre sobre a semelhança da paixão e o escrever, como os dois ocupam os pensamentos, etc. Comecei a pensar em escrever alguma coisa, não como escritora (sei que não o sou) mas como alguém que quer ocupar seus pensamentos pois estavam perigosamente tomados e trocar ideias com outras pessoas.. Eu já acompanhava alguns blogs e comecei o entremeios e estou gostando de fazê-lo, mas acabei magoando duas pessoas importantes para mim, uma por que não se achou aqui e a outra por que se achou.
Fazer o que?
Pedir perdão.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

"Prossegue a guerra pela liberdade na internet"

Estou copiando o texto do blog do Jonuel, acheio-o interessante e resolvi divulga-lo aqui, o endereço do blog, para quem quiser visitar é http://jogo34.blog.uol.br/


Um artigo do interessante site Slate (http://www.slate.com/) assinala aspectos importantes da liberdade na Internet a propósito dos protestos consecutivos às eleições iranianas e o relativo silêncio que se verifica agora. Até há pouco sublinhou-se em diversos orgãos de midia que os blogs iranianos e espaços no Twitter ajudaram a divulgação mundial dos acontecimentos e mobilizaram muita gente para manifestações de rua. Neste blog tambem escrevemos a propósito disso, mas é importante ter em conta tambem o fator repressão, usado como sustentáculo pelos regimes autoritários ou totalitários, de todos os continentes.
Citando o "Wall Street Journal", o artigo referido afirma que o regime iraniano dispõe de um ultra-sofisticado sistema de vigilência sobre a Internet, podendo localizar a origem de emails, blogs, imagens, etc. Parte desse sistema foi montado pela Nokia e Siemens, diz o jornal e, alem de localizar as origens (quer dizer, os IP's dos computadores) pode apagar mensagens, retirar imagens, inutilizar sites e fazer guerra psicologica com material falso.
Como na luta entre virus e anti-virus, ativistas ("hacktivistas" como já são conhecidos) de todo o mundo estão empenhados em encontrar meios de despistar os repressores. Duas prioridades nesta busca: impedi-los de localisar os IP que identificam os computadores e montar dispositivos que impeçam a intrusão. Um software criado por engenheiros chineses defensores da liberdade de expressão ( as autoridades chinesas têm equipamento de vigilancia idêntico ao de suas congéneres iranianas), denominado Freegate (Porta Livre), permite alterar o IP quase cada segundo, tornando impossivel a perseguição. Tambem elimina todo traço de emails mandados de um computador.
Uma variante do Freegate é o Ultrasurfer e estão ambos disponiveis no Project Tor da Universidade de Toronto, outro importante centro de pesquisa pela liberdade na rede.
O governo chinês anunciou que os computadores em venda a partir do proximo mês terão obrigatoriamente um filtro para softwares de Internet, designado como Barragem Verde. Para neutralizá-lo o pessoal do Freegate já criou o Tsunami Verde.
Escrito por Jonuel Gonçalves