segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Joaquim III






Recebi algumas reclamações da família do Joaquim. Lembram-se dele? Está algumas postagens abaixo.
Bem as reclamações foram por conta de alguns fatos que não relatei, por achar que seriam um pouco ...digamos ...demais.
Um pequeno resumo para aqueles mais preguiçosos que não irão procurar os textos:
Joaquim nasceu em um 14 de Julho e na infância contraiu meningite, escapou quase sem sequelas, melhor dizendo a sequela que ficou foi o excesso de mimo que recebeu da mãe e dos irmãos e até dos sobrinhos pelo resto de sua vida. Por esses dois fatos, a meningite e a queda da Bastilha, achou-se um premiado e nunca trabalhou na vida, nem assumiu qualquer responsabilidade que não fosse seu bem estar.
Os filhos que foi arranjando por ai, dava o nome dos irmãos como pai e quando sumia as mulheres iam atrás e assim quase estragou o casamento de um deles, depois todos já sabiam que quando chegava uma mulher com criança no colo era coisa de Joaquim e cuidavam deles.
Quando os pais morreram os irmãos continuaram a suprir suas necessidades e mais tarde seus sobrinhos. Foi o primeiro a nascer e o ultimo a morrer.
O que faltou relatar foi a passagem de quando fazia sua viagem a casa de um dos sobrinhos para arrecadar dinheiro.
Estava no ónibus indo de uma cidade a outra, no tempo que as estradas do estado eram em sua maioria de terra e as viagens eram longas, sentou-se ao lado de uma mulher já na meia idade mas ainda vistosa e veio puxando conversa. A Dinorah, esse era seu nome, mulher de prosa fácil e vida idem que logo Joaquim percebeu e se interessou. Conversa vai, conversa vem Joaquim conta que iria visitar um sobrinho que é dentista naquela cidade.
Dinorah diz que o conhece que é muito bom profissional e que ela deve um trabalho para ele. Reclama da vida e diz que em uma cidade pequena é difícil ganhar a vida, que as mulheres ficam de olho, a fofoca corre solta, etc e tal e que não sabia com iria pagar o Dr Regis.
Continuaram conversando até que chegaram a cidade se despediram e Joaquim foi para a casa do sobrinho. No dia seguinte de sua chegada conversando com Regis contou do encontro no ónibus e falou que Dinorah lhe havia dito que devia dinheiro para ele. Regis concordou e mostrou-se resignado, sabia que dificilmente conseguiria receber esse dinheiro, Joaquim foi imediatamente solidário e perguntou ao sobrinho se ele permitiria que ele recebesse em favores a divida de Dinorah. Recebeu todinha e nesta altura da vida já passava dos oitenta.
A segunda passagem diz respeito a morte de Joaquim, contei que ele morreu tentando agarrar a enfermeira que estava trocando seu curativo. Isto foi assim mesmo, com a resalva que naquele tempo de Santas Casas, as enfermeiras eram freiras e não contei que no enterro dele foi muito difícil as pessoas se conterem, alguns sorriam outros tinham que sair rapidamente para rir lá fora, só o padre olhava a todos com ares de censura o que tornava a cena mais engraçada ainda. Todos que se aproximavam do caixão saiam rindo.
Ninguém nunca tinha visto um morto com um sorriso mais safado no rosto, como o Vadinho de Jorge Amado, só que muito antes desse.


(fotos retiradas do google)

sábado, 26 de dezembro de 2009

A 95ª Vitima de Quinta

Ganhei de presente de Eduardo P.L dos blogs VITIMA DA QUINTA e VARAL DE IDEIAS
Além da honra, ganhei dois narizes, mas já avisei que só quero sentir cheiro bom, dentes de monte. Sabem como é com a idade avançando esses reforços sensórios e utilitários são de grande valia.
O artista sempre captura algo da nossa alma.
Acho que esta é a primeira vez que adoro ser a vitima. Espero não pegar o gosto.
Obrigada Eduardo.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

BlogsHistória


Dando seguimento ao desafio daBlogGincana do mês de Dezembro, acrescento a história do blogueEssência e Palavras

Mas que é isso! Seu cérebro começou a lutar com aqueles pensamentos, Afinal estava em um museu na sala de espelhos e aquilo que via era imagem. Virou-se e não havia ninguém mais por ali e no espelho que agora enxergava claramente, via Sofia e seus filhos enevoados.

Filhos? Ele nunca tivera filhos. Não que soubesse e Sofia tinha sido sua grande paixão e nenhuma outra mulher fora amada, seu coração congelou depois daquele dia em que ela desaparecera sem deixar pistas, parecia ter sido engolida pela terra.

O que o espelho, a aversão pela mãe, o acidente com seu vizinho, aquela sentença de morte, significavam? Sua cabeça doía tentando entender tudo. Alem do esforço que estava fazendo para não mergulhar naquele delírio de filhos e Sofia.

Que vontade de abandonar-se nessa felicidade imaginária. Sentia que a loucura o espreitava com seus olhinhos apertados e um frio percorria sua espinha e suas mãos estavam geladas.


Afinal não se casara com Sofia, não tivera filhos com ela, mas eles até tinham nome e ele os vira, Sua mãe já falecera, mas conversara com ela e até lembrava dela morando em sua nova casa.

Lembrou-se da pessoa que vira no espelho e que não era ele. Aquele espelho...os espelhos! O que refletiam eles afinal? Outros "Eus", Vidas passadas?

continua no blogue@ Dis-cursos



(foto de Phillipe Halsmon - Dali Atomico)

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Tudo tem seu tempo




Um sobresalto

Quem diria?

Nessa altura da vida

Não caberia

Aprendi assim

Tudo tem seu tempo

E agora não era

Esse o Tempo

Já faz tempo

Agora é o sossego

Onde ele está?

Me enganaram

Não me contaram

O coração só tem

Um tempo

É o tempo de amar.


(foto retirada do google)

domingo, 20 de dezembro de 2009

Blogagem Coletiva


Blogagem coletiva proposta pelo blog: William Lial

Meu melhor livro do ano.
Editora: Ediouro

Autora: Rosa Montero

Tradução: Paulina Wacht e Ari Roitman Ediouro

O melhor livro que li este ano foi a “Louca da casa” de Rosa Montero, escritora madrilenha. Escolhi este entre tantos livros bons que li, e o escolhi por algumas razões:

1) Agradável de ler.

2) Possui idéias originais

3) Clareza na exposição da idéias.

4) Boa exemplificação de seu pensamento.

5) Foi o livro que me deu razões para que começasse a escrever

Um pequeno resumo

A louca da casa é como Santa Tereza de Jesus se refere à imaginação e a autora partiu dessa idéia para falar sobre o processo de criação da escrita: suas motivações e seu processo . Neste caminho foram sendo acrescentadas distinções entre o sonho o delírio e a fantasia, entre a loucura e a paixão, entre a vida e a morte. Discorre sobre vários autores e sobre si mesma.

Alguns pequenos trechos que esclarecem mais que minhas palavras.

"Escrever romances é a coisa mais parecida com apaixonar-se que já encontrei (ou melhor, a única coisa parecida) com a apreciável vantagem de que na escrita não se precisa da colaboração de outra pessoa.

...nos primeiros momentos da paixão, este tão cheio de vida que a morte não existe. Amando você é eterno... Você também é eterno ao inventar histórias. A gente sempre escreve contra a morte.

...um grande numero de romancistas... Viram o mundo de sua infância desmoronar e desaparecer para sempre de maneira violenta...

...Todos nós passamos a vida, com saudades daquilo que é maior que nós, o pó de estrelas que fomos um dia."

Vou parar por aqui senão conto o livro todo e isto é só uma pequena amostra que espero que desperte a vontade de le-lo e ai poderemos conversar muito sobre ele, pois é um dos livros mais ricos em ideias originais que li nos últimos tempos.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Sombras Bailarinas

O sol entre as folhas

Desenha rendas

No negro asfalto

Nas folhas, o vento

Faz desenhos dançar.

Vestidas de rendas

Sombras bailarinas

Com livres passos

Improvisam bailados

Como meu coração

Dança sem controlar

Frente ao seu negro olhar



(foto Google)

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

You Decorated My Life: Lágrimas ! Quem as gosta ?

Visitando os blogues dos amigos cheguei ao do Luciano com um bonita poesia sobre as lagrimas e um texto interessante sobre a corrupção que assola nosso pais. O melhor entretanto é a filmagem que ele fez da apresentação dos meninos cantores no Palácio Avenida no centro de Curitiba.
Para quem não sabe são mais de 160 crianças carentes ou abandonadas que são acolhidas nas casas lares, ao todo são 530 crianças.
A alegria com que cantam e que contagia o publico que as assiste é realmente emocionante vale a pena ser vista.
Observo que cada vez mais temos as grandes comemorações na rua, como a passagem do ano, a virada cultural e a parada Gay em São Paulo, além é claro do Carnaval e fico pensando nessa tendência de ir para a rua festejar ou comemorar. A rua não é mais o espaço de ir e vir é também o espaço do protesto, da festa .
O endereço do Luciano esta logo abaixo e o coral está no meio da postagem, nas vale a pena ver tudo.

You Decorated My Life: Lágrimas ! Quem as gosta ?

domingo, 13 de dezembro de 2009

Os dias

A vida ficou um tedio.

Os dias eram tão variados!

Tinha dias de todo jeito:

Dias de brincar.

Dias cheios de calma.

Dias de brigar.

Dias de muito amar.

Dias de resguardar.

Os dias ficaram iguais.

Perdidas as marcas dos dias.

O mar é um lago manso,

Sem ondas a quebrar.

Sem a lua a regular,

Imoveis as marés.

O mar esta a secar...