sábado, 7 de agosto de 2010

O Peixeiro e a Sereia


Matilde é uma dona de casa cuidadosa, dessas que tem um ritmo diário próprio. Cuida da casa, dos filhos e ainda da aulas particulares para ajudar no orçamento domestico.

Tem uma aparência agradável, mas nada muito sofisticado. Roupas simples e praticas, cabelos quase sempre presos.

Muito diferente da vizinha D. Marilu, uma mulher sempre de salto alto, roupas justas, decote generoso a ressaltar as curvas fartas. Quando ela sai os homens sempre a olham, alguns disfarçadamente, outros descaradamente e ela segue com a naturalidade de quem se acostumou com os olhares.

A rua que reside é de um bairro da periferia, é tranqüila, passa poucos carros e tem pouco comercio por perto. O asfalto chegou há pouco tempo e apesar das muitas casas mantém certo sossego. A praia fica longe e a algazarra dos turistas mal chega por lá.

Um menino vem cedo e de bicicleta distribuí o jornal. O padeiro manda entregar o leite e o pão e o peixeiro passa com seu carrinho todo final de tarde. Marilu sempre sai para comprar peixe, adora peixe. Ficam tempos conversando com o vendedor de peixe e com o marido de Matilde. A conversa corre solta, são casos e mais casos, muitas risadas, caras e bocas e o peixe quase que estraga...

Matilde começou a ficar incomodada com aquela conversa, mas não sabia o que fazer, sentia o "clima" que emanava daquele trio. Quando tentava falar alguma coisa o marido a olhava como se ela estivesse louca e argumentava que o marido de Marilu não se importava e ela com aquela malicia toda. Ficava quieta e no fundo achava que o marido de Marilu era uma “anta”, um tonto. Estava vendo a hora que iria brigar feio com o marido, fez tentativas de participar das conversas, mas tinha que voltar para o fogão. Retornava com o peixe e eles ficavam lá proseando e a prosa parecia de fato inocente, eram sempre historia de peixes, pescarias e pescadores, mas havia "algo" no ar que ela não sabia precisar.

Chegou a época de férias e D. Marilu viajou para a casa de parentes junto com o marido e Matilde respirou aliviada. Teria um mês de folga. O peixeiro continuou vindo mas as conversas ficaram mais curtas. Passado o mês Marilu voltou das férias, sem o marido. Dizem que se separaram. Arrumou emprego de corretora de seguros e o peixeiro comprou um celular e agora só faz entrega em domicílio. Matilde está tranqüila aquela conversa acabou, o marido não toca no assunto, nem ela para não criar confusão.

E todo fim de tarde o peixeiro leva o peixe para D. Marilu.


(tela Di Cavalcanti- Mulher deitada com peixes)


38 comentários:

Sandra Botelho disse...

Eitaaaa...
Bjos achocolatados

Deia disse...

Ainda bem que D. Matilde conseguiu ficar aliviada agora! E, que bom que a D. Marilu resolveu-se! Um beijo, belíssimo conto! Deia.

Chica disse...

Lindo conto...Uma ótima semana e tudo de bom,chica

Hod disse...

Angela Querida amiga,
Conto que transporta a gente para épocas distantes, vi-me na Praia do Porto do Francês em Alagos, morando com a cumunidade de pescadores,, eram vinte oite família que viviaam da pesca diariamente.

Beijo querida amiga,

José Doutel Coroado disse...

Cara Angela,
conto curto bem "saboroso"...
como era gostoso viver no ritmo das pequenas comunidades... com arrufos, tricas e outras coisas mais...
abs

Sol Nascente disse...

Gosto muito de ler seus textos. bjk. Jonuel

Sol Nascente disse...

acho que tive em tempos um blog (se bem me recordo coletivo, todo o mundo procurando não ser sério) com o nome de Sol Nascente. Daí o google ter metido esse nome.. rsrsrs

Sol Nascente disse...

nada disso, fui conferir e eles se enganaram com essa de Sol Nascente. Mas já tive um blog por aqui... bem... o título era outro... rsrs.. no proximo comentario talvez ponham Sol Poente.

TRIBUNA-BRASIL.COM (O Indignado) disse...

Angela, nesse conto há algo 'pairando' no ar. (o que será?). Abraços.

mARa disse...

...rssss...hummm sei, o restante ficou nas entrelinhas...

Beijo!

angela disse...

Sandra
Pois é...
beijos

angela disse...

Deia
Tudo está bem quando acaba bem.
beijos

angela disse...

Chica
Obrigada

Ótima semana para você também
beijos

angela disse...

Hod
Que bom que lhe trouxe boas lembranças.
beijos

angela disse...

José Doutel
Não há duvidas que existem inúmeros sabores nessas pequenas comunidades.
beijos

angela disse...

Jonuel
Fico feliz que goste
beijos

angela disse...

Jonuel
É um nome interessante.
beijos

angela disse...

Jonuel
Vai entender o blogger...rs

beijos

angela disse...

O Indignado
Quem sabe o que paire no ar seja você na fila da Maria José....rs
abraços

angela disse...

Mara
Ficou nas entrelinhas, nos entremeios, etc.
beijos

TRIBUNA-BRASIL.COM (O Indignado) disse...

Angela, não sejas tao ciumenta, guria!Continuo sim, na fila. Quem sabe se abrires uma tb,eu não entre, TCHÊ!.

Daniel Costa disse...

Angela

A tela é bela, como são todas as que conheço, por foto, de Di Cavacanti.
A história interessante, embora ficcionada, penso. Não andará longe de se extraida da realidade.
Beijos

angela disse...

O Indignado
Sabes que é impossível estar em dois lugares ao mesmo tempo, sugiro que continues onde estas, que estas em boa companhia.
beijos

angela disse...

Daniel
A gente se inspira na realidade e a transforma um pouquinho, imagina o que não sabe, preenche os vazios.
beijos

lis disse...

Angela
Essas conversas costumam ser bem agradáveis e sem nenhuma outra intenção. São gente simples , felzes.
Gostei do conto da Matilde , D.Marilu e o peixeiro ,
deixo abraços e a vontade de um bom papo assim com voce rs

ju rigoni disse...

Conto delicioso, que deixa no ar as manhas de uma "pescaria"...

Bjs, Angela, e inté!

Sandra Botelho disse...

Agora com o celular tudo ficou mais facil simples e discreto...kkkkkkk
Bjos achocolatados

Sandra Botelho disse...

Agora com o celular tudo ficou mais facil simples e discreto...kkkkkkk
Bjos achocolatados

Anne Lieri disse...

Entrega a domicilio...rss...muito bom,Angela!Um conto muito bem feito,com história que prende a atençaõ do começo ao fim!Adorei!Bjs,

Anne Lieri disse...

Entrega a domicilio...rss...muito bom,Angela!Um conto muito bem feito,com história que prende a atençaõ do começo ao fim!Adorei!Bjs,

angela disse...

Lis
Um papo descompromissado é tudo de bom.
Precisamos fazer isso alguma hora.
beijos

angela disse...

Ju
Pescou-se muitas coisas...
beijos

angela disse...

Sandra
Discreto e mais claro...rs
beijos

angela disse...

Anne
Pois é...
que bom que gostou.
beijos

Renato Orlandi disse...

AHuhausa, adoooro pessoas que se preocupam com a vida alheia, tenho milhões de vizinhos assim, alguem nesse meio deve ter alguma razão, mas ahh, deixa conversar com o moço neah! rs As pessoas não sabem os limites. Adoooro qdo escreve contoooos!!! :D Bjuuuu!

António Rosa disse...

Adorei o conto.

Beijos com chocolate. :))

angela disse...

Renato
Sempre tem o povo que conversa e o que presta atenção...rs
beijos

angela disse...

Antonio Rosa
Obrigada pela visita e pelos beijos com chocolate.