sábado, 14 de agosto de 2010

Outros Tempos

Sua idade era indefinida para as crianças só existem três idades, a delas, a dos adultos e a dos velhos. Então para elas ele era um adulto e elas tinham certo receio dele.

Na pequena cidade de ruas largas e arborizadas as crianças corriam soltas, os carros eram poucos e os perigos passavam longe. Seus medos ficavam por conta das histórias de assombrações, dos castigos dos pais, das ameaças do padre e claro, da imaginação deles próprios.

Era nesta ultima categoria que entrava a figura do barbeiro da cidade. Um homem magro de meia idade, estatura mediana, cabelo preto penteado para trás melado de brilhantina, não saia um fio do lugar, só saiam em mechas, bigodinho fino bem aparado. Vestia-se sempre de calça preta social e camisa de manga comprida branca, apesar do calor que lá fazia. Uma roupa surrada, mas bem lavada e bem passada, tinha uma maleta preta onde carregava seus instrumentos quando ia atender algum cliente na residência. Até aí era como muitos, mas a unha do dedo mindinho... Era onde residia o inusitado, era grande, muito grande, maior que a das mulheres. Uma única unha grande e este detalhe causava todo o temor e atiçava a imaginação.

Não entendiam como os pais iam à barbearia e ficavam por lá folheando revistas, conversando e rindo e os rapazes também gostavam. Parecia que tinha um feitiço que tendo entrado uma vez voltariam toda semana. Os meninos prometiam entre si que nunca iriam por os pés naquele lugar, mas ardiam de curiosidade e assim foi por muitos anos. Quando a barba ficava espessa o pai levava o filho à barbearia e o pronto. Acontecia de novo.

Os tempos mudaram as revistas de nu feminino começaram a ser vendidas na banca, falava-se de sexo mais livremente e o feitiço da barbearia acabou.


(foto retirada do Google-Capa da Primeira Playboy- 1953-Marilyn Monroe)

35 comentários:

Daniel Savio disse...

Hua, kkk, ha, ha, penso que escolhemos a nossa companhia, mas com certeza, prefiro a humana do que as de folha de papel...

Fique com Deus, menina Angela.
Um abraço.

VELOSO disse...

Grande mini conto!! O tempo passa o tempo voa...

Hod disse...

Muito bom mesmo, e bastante divertido um conto etanto. Pensando bem é bem assim mesmo..kkkkkkkkk!!

Bom domingo,

Beijo pra ti.

Chica disse...

Muito legal,Angela e era assim...

Hoje tá tuuuuuuudo à mostra,rsrsr...

beijos,chica

manuel marques disse...

Simbiose perfeita.

Beijo.

Rosana disse...

Angela linda, pois é, quando lembro com saudade de algumas coisas é que me dou conta do tempo, mas não sou o tipo que fica a, estou envelhecendo, porque estou mesmo, sinto saudade de uma época em que mesmo nós sabendo que tínhamos inimigos, eles eram mais leais que os de hoje, ninguém destruia uma vida, assim de forma tão pejorativa, hoje ninguém se importa, as pessoas se tornaram mais sórdidas e de tudo, é o que mais me incomoda, beijo grande em seu coração

TRIBUNA-BRASIL.COM (O Indignado) disse...

Angela, barbaridade tchê! estás introspecitvas, hj? Postas algo do passado longinquo mas, prazeiroso. Sinal de que que o bom humor, estás de novo contigo, guria!. Abraços.

Renato Orlandi disse...

Nhaa eu adoro esse tipo de fantasia inocente, esse feitiço criado pelas crianças, pela descoberta, apesar dos pesares queria viver num mundo assim, como no passado, onde haviam mais limites, mais respeito, mas claro com a tolerância [sonhada] de hoje em dia! Adorei essa viagem! Bjaoo!

angela disse...

Daniel Savio
Concordo com você,
beijos

angela disse...

Veloso
E como voa...
beijos

angela disse...

Hod
Que bom que gostou e se divertiu.
beijos

angela disse...

Chica
Verdade, sem mistério nenhum...rs

angela disse...

Manuel
Era perfeita sim
beijos

angela disse...

Rosana
Também tenho essa impressão que as coisas eram mais "civilizadas".
beijos

angela disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
angela disse...

O Indignado
Estou de bom humor sim, e contente de tê-lo por aqui.
beijos

angela disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
angela disse...

Renato
A tolerância era bem pequenininha nessa época, mas as brincadeiras e a liberdade eram bem boas.
beijos

Daniel Costa disse...

Angela

Gostoso conto o teu. Conto isto é, porque a estória podia ser verdadeira. Como a tua eu assisti a verdades dessas. Rcordo o meu avô receber sempre o barbeiro em casa. Eu próprio que visitava o barbeiro. Actualmente sou assistido por uma cabeleireira.
Beijos

Daniel Costa disse...

Angela

Gostoso conto o teu. Conto isto é, porque a estória podia ser verdadeira. Como a tua eu assisti a verdades dessas. Rcordo o meu avô receber sempre o barbeiro em casa. Eu próprio que visitava o barbeiro. Actualmente sou assistido por uma cabeleireira.
Beijos

Tertúlias... disse...

Maravilhosa postagem. Ótima mesmo! E o visual do Blog... Wow... está lindo, lindo... que charme!!!!!

angela disse...

Daniel Costa
Pois é...aquela unha nem te conto.
beijos amigo.

angela disse...

Ricardo
Estava com saudades de sua visita.
Obrigada amigo
beijos

Anne Lieri disse...

Angela,um conto que resgata tempos antigos de forma leve e prazerosa!Adorei!Bjs,

José Doutel Coroado disse...

Cara Angela,
gostei!
no meu tempo e nos barbeiros que usava nunca encontrei essas revistinhas que, pelos vistos, eram a razão da freguesia se manter...
mas, me fez lembrar de guris que, na primeira vez, quase faziam cair os céus com seu choro perante a tesoura...
abs

Lau Milesi disse...

E hoje, com o desaparecimento das barbearias nas grandes cidades, o que se vê é gente aparando a "unha" em frente às bancas de jornais...ou "ao vivo" nos salões de beleza.[rsrs]

Tudo bem com você, Angela? Estou de volta...
Um beijo e obrigada por suas carinhosas visitas.

lis disse...

Angela
seus contos tem um quê da infância , dos tempos que vivemos na adolescencia , muito gostoso de ler.
E esse tipinho fisico que falas era proprio do barbeiro( bigodinho fino bem aparado rsrs)
essa uha grande já vi em manicure Angela elas gostavam de deixar uma grande ,rsrs vai entender!

abraços amiga

angela disse...

Anne
Tempos bem antigos...rs
Obrigada
beijos

angela disse...

José Doutel
Caso tivessem as ditas revistinhas talvez não chorassem...rs
beijos

angela disse...

Lau
Na frente das bancas de revistas é bem lembrado...rs
Estou bem sim.
Obrigada
beijos

angela disse...

Lis
O barbeiro eu descobri o porque da unha grande..rs Era para repartir o cabelo do freguês. Acredita?
beijos

Essência e Palavras disse...

Bela viagem Angela!

Essência e Palavras disse...

Bela viagem Angela!

Essência e Palavras disse...

Tempos mais femininos, mais intensos...

angela disse...

Essência
Obrigada.
beijos