terça-feira, 14 de setembro de 2010

Cada um dorme como quer


Lucas era um homem grande, forte, de meia idade, funcionário do cartório de uma pequena cidade que experimentava um período de crescimento econômico. Fato este que atraia muita gente de todo lugar e o que era pior de toda espécie. Os golpes e calotes eram constantes, os preços subiam demais, tudo estava ficando caro demais, até os respeitáveis senhores, velhos conhecidos seus, pareciam ter perdido o bom senso e a cidade parecia contaminada por uma febre de ganância nunca sonhada.

Cada dia mais desgostoso e aborrecido começou a fazer suas compras em outras cidades, medico, dentista, tudo começou a ser utilizado fora da cidade, para ele e para sua familia. Comparava os preços e fazia questão de falar das diferenças em voz alta, deixando descontentes muitas pessoas, mas não se importava. O que não queria mesmo era ser enganado. Surrupiado como costumava dizer.

Numa bela manhã um caminhão parou na porta de sua casa e dois homens desceram procurando por ele. O filho mais novo correu até o cartório a procura do pai e assim que o encontrou comunicou-lhe o fato. Lucas saiu rápido e chegando em sua casa viu vários vizinhos andando nas imediações curiosos em saber o que trazia aquele caminhão roxo de Piracicaba, cidade que ficava tão longe dali. Alguns andavam como se nada quisessem, outras varriam a frente da casa, outros conversavam, mas todos atentos ao caminhão.

Lucas percebeu tudo, mas não se importou e foi logo cumprimentando os dois homens que em seguida abriram a porta de traz do caminhão roxo e de lá retiraram um caixão. Um caixão grande de madeira boa, todo envernizado com alças brilhantes de bronze e entraram na casa carregando o fúnebre objeto. Lá dentro travou-se uma discussão entre Lucas e sua esposa sobre onde iriam guardar o caixão, discussão essa que foi ouvida todinha pela vizinha da direita, depois de algumas ponderações de ambas as partes ficou resolvido que o caixão ficaria em cima do guarda roupa do quarto do casal. E por lá ele permaneceu por mais de 20 anos garantindo o sono tranqüilo do Lucas, que sonhava não ser enganado nem depois de morto.

15 comentários:

Chica disse...

Nossa, CADA UMA,HEIM? mAS COMO DIZES, CADA UM ESCOLHE!!!lEGAL!BEIJOS,TUDO DE BOM,CHICA

Irene Moreira disse...

Cada um com a sua mania... agora essa já é exagero.
Obrfigado pelo carinho.
Beijos e um bom dia

Renato Orlandi disse...

Eita nóis! E de que adianta se planejar tanto assim, existem muitas outras coisas que me tiram o sono e não tem nada a ver com ser enganado, talvez a mim mesmo, mas isso é outra história rs, bjaooo, adorei!

Lara Amaral disse...

Imaginei um sujeito desconfiado e mesquinho, parecido com um que conheço, que tem tanto medo de ser passado para trás que ele mesmo acaba se passando sem perceber.

Beijo.

Ester disse...

Oi Angela,

Interessante estória! O final foi surpreendente, gosto disso!
Gosto de ser surpreendida, isso não acontece com muita frequência num mundo tão previsível..

Abraços e obrigada pela sua simpática visita!

Bjs!

lis disse...

OI Angela
Bem proprios de funcionários todos certinhos e sempre desconfiados rss
Maluquices assim nunca vi , talvez seja falta do que fazer rs que precisa coragem, precisa. Todo dia olhar pra aquela caixa dever ser o "fim da picada" rsrs
Interessante o conto .

abraços

Deia disse...

Angela, final surpreendente! Juro que não me dei conta até o desfecho! Inspiradíssimo, querida!!! Beijos, Deia

Daniel Savio disse...

Como assim um caixão?!

Hua, kkk, ha, ha, que queria ele no caixão?!

Fique com Deus, menina Angela.
Um abraço.

Vieira Calado disse...

Passei para ver as novidades

e desejar

bom fim de semana.

Bjs

Graça disse...

Muito bom seu conto, Angela... E realmente, o final agradou por surpreender! Fantástico.

Amiga, deixei-te um convite no seu outro blog, do carinho-entremeios, por favor veja, sim?

Abraços!

Fique bem!

Graça disse...

Muito bom seu conto, Angela... E realmente, o final agradou por surpreender! Fantástico.

Amiga, deixei-te um convite no seu outro blog, do carinho-entremeios, por favor veja, sim?

Abraços!

Fique bem!

Lau Milesi disse...

Angela, o Lucas se encaixa perfeitamente naquela máxima:
" seguro morreu de velho".Que homem precavido!!!Adorei, amiga querida. Um beijo e bom fim de semana.

EDER RIBEIRO disse...

Surpreendente e com um final inimaginável. Parabéns, adoro os seus contos. Bjos.

ju rigoni disse...

Da caixinha ao caixão cada um faz com seu dinheiro o que lhe convém. Mas cá entre nós... Conviver vinte anos com um caixão em cima do armário... Ui!...

O desfecho do conto é surpreendente. Bjs, Angela. E inté!

Gilmar disse...

Como se diz, melhor previnir que remediar! E a situação narrada é verdadeira, não pelos mesmos motivos, mas a mãe de um grande amigo paraibano tem exatamente um caixão guardado sobre o guarda roupa. Ela diz que não quer ser surpreendida e nem deixar os filhos em dificuldade com a aquisição do caixão. Cada um com suas escolhas, não é Ângela!?

E, quanto ao causo que publiquei hoje, lá no Caminhar, pasme você, ele foi inspirado numa história real.

Carinhoso abraço!