sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Berço



Sou o suor
liquido vivo
escorrendo pelo chão,
pelas frestas
misturado a terra

Sou o barro
o berço da semente
inchada, rompida

Sou a pequena grama
planta atrevida
procurando caminho
estirada
sentindo a brisa
e um pouco de sol
fincada no chão







sábado, 20 de novembro de 2010

Me atrevo Drummond.

(A criação de Adão-Lewis Lavoie- Micheangelo)


”Mundo mundo vasto mundo”
quanto mais encurto os caminhos
mais distante tudo fica

Não há lugar para Ulisses
Odisseias são vulgares
Homeros escrevem novelas
Helenas são carnes cruas.

Acrópoles desordenadas
Midas descontrolados
Narcisos tem mil espelhos
Tânatos mata à vontade

O individuo é o mote
vale tudo vale nada
nessa confusão danada
salva-se quem puder
ou quem dinheiro tiver

No meio da multidão
um olhar desnorteado
insano
desesperado
encontra o meu

“Mundo mundo vasto mundo,
Mais vasto é meu coração”


quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Debaixo do Sol e Balada Literária

Lançamento do livro: Debaixo do Sol
dia 20/11/10 de Eunice Arruda.


NO DIA

Um sol
me abraça

Amo o que é
sonho
fumaça

O que passa

(poetaeunicearruda.blogspot.com)


Balada Literária de 18 a 21 de novembro acesse o site Balada Literária - UOL Blog para saber mais.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Diálogo

(mapa das rotas dos descobrimentos )

Leonardo B. poeta portugues do blog a barca dos amantes me presenteou com esses versos, onde podemos ver a sensibilidade e a qualidade de sua escrita.


"aí é um lugar de renascer um farrapo de algodão

perdido no meio do céu,

procurando a mãe de todas as mães,

vasculhando e buscando,

outra gémea

alma perdida

nesse desencontro de nuvem no

planeta céu azul que

visto daqui,

de mil cores visto de lá,

de lá cima do longe,

já a mim não me pertence:

- é tão pouco, é tão provisório, é tão

incompleto,

mapa meu

e eu aqui.


(Leonardo B.)


Abaixo meu agradecimento.


Pequeno ser
de palavras
teimosas
perdido
no éter

Um farrapo de algodão
de linho
de nuvem
em solo fecundo
renasce

esquecido de si
doa
sementes
sons de poeta
a ecoar
no sul

(Angela)


segunda-feira, 8 de novembro de 2010


















Eu que vivi sem pátria
entregue
vaguei

um fantasma
sem rastros,
marcas

nada permanece na alma
cada dia
o vazio

exausta
durmo


quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Homens & Mulheres...

by Lourdes de Castro

Ele pediu um tempo. Ela não acreditava no que ouvia, assim como não acreditava nessa de pedir um tempo. Mesmo sendo inexperiente algum anjo lhe assoprava no ouvido que algo que não podiam resolver juntos não resolveriam separados. O coração ficou pequenino apertado. Respirou fundo recolheu o lhe que sobrava de amor próprio e coragem para propor que terminassem o namoro e se ele sentisse sua falta que a procurasse. Não queria meio compromisso.

Viu o carro partir e com ele sua alegria. A noite foi horrível, virava na cama como se estivesse sendo frita em óleo quente. Não havia aconchego. Acordou cansada e com uma dor nunca sentida. Sua vontade era de ligar e desfazer tudo o que tinha acontecido na noite anterior, mas não podia. Sabia que não dependia dela.

Ficou sabendo da namorada nova, era evidente que tinha mulher no pedaço e o jeito era seguir em frente.

Os outros dias foram um pouco melhores, mas não muito, aquela dor, aquela angustia não passavam. Demorou um bom tempo para que se sentisse melhor. Foi retomando sua vida com os amigos, descobrindo novos interesses. Estava começando a ficar bem novamente.

Num domingo a noite retornou de um fim de semana na praia e encontrou o ex no carro parado na porta de sua casa. Sua aparência era cansada e abatida.

O medo embaçou a alegria de revê-lo. O sofrimento dos meses anteriores retornou vivo, latejando.

Ele contou que a esperava ali desde o dia anterior.

Não resistiu.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Pra Começar a Conversa

Francis Bancon- Full

Conversar nem sempre é coisa fácil.

Já custou muitas vidas e ainda custa.

Crime de opinião é coisa antiga, infelizmente e a intolerância ainda assombra nossas vidas, desde um passado não muito longínquo.

Quando a conversa é para valer é sempre difícil, expor idéias, abrir o coração, ser sincero.

Começa pelo receio das conseqüências do que vai se dizer, de não ser ouvido, de não ser compreendido, do outro não se interessar, de mudar de assunto ou falar que aquilo é uma bobagem, quando para você é coisa seria.

Já viram como é comum desconsiderar a palavra de uma criança, de um idoso, de um subalterno? Como muitos não se dão ao trabalho nem de prestar atenção no que elas dizem? São pessoas que vão ficando invisíveis. O mundo está cheio de seres invisíveis e não são fantasmas nem anjos nem extra terrestres são humanos mesmo.

Acontece em alguns momentos deles serem ouvidos e aí acontecem coisas perturbadoras surgem os “caseiros” as “secretárias” as “amantes” os “motoristas”, mas para cada um desses existem inúmeros mudos. Entre os invisíveis estão os doentes mentais, portadores de visões desconcertantes da realidade, costumam carregar alguns “pecados” imperdoáveis na nossa cultura: baixa produtividade, poucos limites, conduta social as vezes ”inadequada” e perturbadora. A solução encontrada por muito tempo foi o confinamento para tratamento o que demonstrou-se ineficaz. Não curou só afastou o incomodo do meio social e isto é reconhecido pelo OMS, não sou eu que o digo. O profissional que cuida desses pacientes fica de certa forma identificado com ele e é visto como uma mistura de sábio e louco.

A pergunta que fica é por que se dar o trabalho de conversar?

E não tenham duvidas que é um trabalho e tanto, as vezes nem sabemos por onde começar a conversa.

Só posso dizer que é por aí que a vida enriquece, que apresenta ângulos novos, visões diferentes, que saem da mesmice, que sacudir a poeira pode valer a pena.

A proposta da revista Lowcultura é esta. Ela foi escrita por profissionais, artistas, filósofos e doentes mentais sem identificação e não precisa falar sobre loucura é só conversar sobre a vida. Ela estará aberta a contribuições e a leitura online logo mais e já pode ser seguida.

Nós só queremos conversar.