sexta-feira, 29 de abril de 2011

Marquei!


Perdi o bonde

todos voltavam

eu ainda ia

e nem percebia


Quando dei por mim...

já era!


Fiquei de fora

perdi a hora

o jeito

a graça

a farra


Que raiva!!!

domingo, 24 de abril de 2011

Simples assim!


Tão pequenas vistas daqui

tantas e tão lindas

brilhando ao longe

vão caminhando impassíveis

ao nosso viver

nenhuma dor as comove

nenhum riso as encanta

nem a poesia as deleita


Nós as amamos

somos encantados

sonhadores

e até nos consolamos

com a beleza delas

e isto nos basta!

terça-feira, 19 de abril de 2011

Pequeno ensaio sobre a mentira.


A indignação e o espanto tomou conta de seu rosto e o amigo sem jeito tratou de encerrar o assunto.

O outro até tentou continuar, mas ele não quis. Estava totalmente sem graça. Foi embora ruminando o acontecido. Caso olhasse para trás, surpreenderia o olhar triunfante do amigo.

Este se deixou ficar por lá mesmo, entrou num café e satisfeito pensava como mentia cada vez melhor.

Lembrou o longo caminho que percorrera até ali desde menino. A mãe perguntando se ele tinha feito aquilo e ele na sua inocência dizendo que sim e logo a surra, o castigo, o espanto. Magoado não compreendia por que era para o bem dele. Ficou com medo de responder as perguntas, mas, ela percebia pelo seu medo que fora ele. Aprendeu a disfarçar o medo, mas ela desvendava por outras evidencias e ele foi aprendendo a disfarçar cada vez melhor. A grande "sacada" foi quando descobriu que não precisava esconder as emoções e sim usa-las. Foi assim que ele procedeu há pouco; a energia do medo, da apreensão fora usada para mostrar indignação, espanto e aí à mentira era quase uma verdade. As pessoas, quase sempre, preferem acreditar no que é mais fácil para elas e o engano é quase um acordo mudo feito entre as partes .

O amigo foi embora triste sabia que ele tinha mentido que tudo era encenação, conhecia os truques todos dos mentirosos poderia ser um deles se quisesse, e de certa maneira o era fazendo de conta que acreditava. Não queria entrar em uma discussão inútil, não tinha provas e tudo ficaria no campo subjetivo das impressões. Ele tinha aprendido também outra lição na vida que era calar o que a inteligência percebia e não podia provar e passar por tonto como acontecera há pouco.

A amizade terminaria ali, naquela conversa. A mascara da hipocrisia estaria no rosto dos dois impedindo qualquer contato verdadeiro e isso o entristeceu demais.


quinta-feira, 14 de abril de 2011

Já era


Cansei de tanta civilidade

de tanta privacidade

desse silencio

esse resguardo

esse mundo palatável

agradável


Mistérios enfurnados no porão

falsos pudores

uma ambiguidade

estonteante


Dispensa soldado

e chibata

para exercer seu poder

tudo é sutil e velado


Tranquei o coração

aprendi o jogo e

sinceramente...


segunda-feira, 11 de abril de 2011

Pietá (Poema de Eunice Arruda e Angela).




Num bloco de mármore
frio branco

Os olhos jovens viram
uma mulher
uma dor
daquele longínquo instante

Quem olha aquela pedra
sabe e sente
o que um cinzel de Michelangelo
transporta

A energia da dor
de Maria
entregando o filho à morte

Tudo ficou naquele mármore
liso suave jamais frio


terça-feira, 5 de abril de 2011

Métrica de Lorentz



Seus dedos distraídos

tocaram minha pele


Tremi


Absorto

você nem notou


Recolhi


Solitária

meu desejo


sexta-feira, 1 de abril de 2011

Ventura



Em dobras vermelhas

escuras e claras

a flor

aberta

plena

oferece-se

ao pássaro

sem pejo

ou preguiça