quinta-feira, 30 de junho de 2011

Suplica


O corpo marcado

pelo seu ferrão

não perde a memória


Como esquecê-lo?


A frouxidão

o abismo

o sempre inesperado

susto

-alivio da agonia-


Não pode ficar tanto tempo

longe!

quinta-feira, 23 de junho de 2011

O que não tem fronteiras

Há alguns milênios hominídeos saíram do vale do Rift na África, provavelmente movidos pela fome e foram andando por esse mundo sem saber o que teriam pela frente. Muitos ficaram pelo caminho, alguns foram encontrando abrigo e alimento e ao que tudo indica outros companheiros. São nossos ancestrais. Sabemos muito pouco sobre antepassados e isso ajuda muita gente pensar que não tem nada a ver com eles. São os que se julgam diferentes e/ou especiais no que diz respeito a sua origem e a sua importância na escala (esta palavra já dá uma idéia de ascensão) evolutiva.

Bem, eu sou brasileira e ser brasileira significa no meu caso ser metade italiana e metade... aí começa. Tem os índios que habitavam essas terras e os portugueses que por aqui chegaram e que por aqui ficaram por muito tempo. Isolados alguns se misturaram com as varias tribos, já havia por aqui alguns poucos europeus e depois por cá aportaram franceses, holandeses e a mistura continuou (sabemos que muitos portugueses já traziam suas misturas com mouros, romanos, etc.) Trouxeram os negros, vieram ingleses, dinamarqueses. Devo ter um pouco de quase todos, assim como a maioria dos brasileiros.

Com um pouco mais desse ou daquele temos gente de varias cores, larguras e tamanhos em inúmeras combinações, algumas especiais outras não tão felizes. Isto é um sangue brasileiro, uma salada das mais variadas, cheia de formas, cores e cheiros.

Acontece a mim, de algum sabor ser conhecido sem nunca ter sido provado, ter saudades desconhecidas e coisas do gênero. Atavismos quem sabe? Gosto deste mosaico que me compõe. Não entendo o desejo de alguns de só ter uma origem, a raça pura, sem mistura. Além de triste é monótono. Não usufruem essa variedade e nem a alegria de ter um baile nas veias cheio de gente dançando.


terça-feira, 14 de junho de 2011

Renitente


É claro!

existe essa dor

essa dor

que não cala

essa dor

que não para


Dessa dor

não adianta fugir

fingir que

passou

que ela acabou

de repente ela

grita


E essa dor

sem nenhum respeito

sem consentimento

desavergonhadamente

mostra-se

completamente


E a vida?

a vida fica

fraquinha

é só um fiozinho

enrolado

no fundo do peito.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Sem Vento Sem Brisa


Não falarei dos sonhos do
amor

Não mostrarei o desejo
nem minha carne
Não tocarei seu corpo
não beijarei sua boca
Esta sina você me deu
A que lhe dou?
Nunca saberá quando morreu
o sentimento


quarta-feira, 1 de junho de 2011

Dueto ao Entardecer


Como filho de Sara

o amor chega

tardio

depois que a esperança se

foi


Será engano

realidade

ou ilusão


Pouco importa

são dádivas para lembrar

a vida não terminou