domingo, 30 de dezembro de 2012


 Mais um poema  de Eunice para brindar os que aqui permanecem.

Um feliz 2013!


31 de Dezembro


 
De repente o céu
Explode em fogos
luzes relâmpagos
 
Champanhes
espumas
taças
comprimindo os lábios
 
Ardente
o céu explode
de repente
sacode
a terra é lenta
gira redonda trêmula
me abrigo em casas
fortalezas
em parentes me equilibro em
redundâncias
 
Ergo a taça. Dezembro
31. Existimos
então
 
ou
fomos já ceifados de alguma colheita



Eunice Arruda

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012


Aos amigos deixo aqui o belo poema de Eunice e junto meu desejo de um feliz Natal para todos.


MENSAGEM
É
Natal
novamente
onde estamos
e onde não estamos

Nas ruas
nas noites enfeitadas
o Natal chega
passo a passo
em cada dia de dezembro
E não há como fugir
já não há onde esconder
o encontro é inevitável
Há que se aproximar então
o coração aberto
o afeto dilatado
Deixar
se desprender de nós
fardos desnecessários
forjados impedimentos
e aceitar
Aceitar esta carga - condição de ser humano

 
É Natal
Há que se respirar
com novo fôlego
um outro ar
aqui
onde estamos
e onde jamais estaremos
o Natal nos transporta
como um barco incansável


É preciso deixar
esta água
fluir
é preciso aceitar
o mistério das fontes

Não podemos deixar morrer nenhum nascimento
                                                                
  Eunice Arruda

domingo, 2 de setembro de 2012

Poeminhas


I

Diz o poeta
que o amor
é da morte vencedor
o que pode então desejar
(o amor)
que não seja 
viver.

II

O calor
o ardor
na dispersão das cinzas
suspiro pela chama


PS. O verso O amor é da morte vencedor pertence a Drummond.


terça-feira, 28 de agosto de 2012

Não existe defesa frente ao amor


Prometo que  hoje não ficarei triste
quando lembrar de quem se foi
nem de quem me esqueceu

Hoje estou feliz
e grata 
ao amor recebido
nesses anos que vivi.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

quinta-feira, 3 de maio de 2012

o céu rouba da terra suas cores




hora do equivoco
nem claro nem escuro
mágicas luzes
de fim de tarde
quando o sol
recolhe as cores da terra
e por alguns instantes
enche o céu de vermelhos
amarelos azuis roxos
fúcsias

quando desaparecem

resta à terra negra
o brilho prata da lua
o piscar das estrelas

Até a aurora

sábado, 14 de abril de 2012

Palinódia


quem diz que sereia é mulher

conta uma história

cria uma lenda

nuvem de fumaça

a esconder a verdade

num despiste genial

homem gosta de mulher calada

homem é quem dá cantada

mulher é quem cai na conversa

e se alguém ainda diz que sereia é

mulher

não ouviu o som da sua voz

nem viu o sorriso seu.


sábado, 31 de março de 2012

Versos incompletos

(Lourdes de Castro)

fito-o desatenta

quando o escuto falar

me seguro

para não me afogar

sou sol poente na ilha

gaivota gritando em rochedos

barco ancorado no mar

no reverso

estou grudada em seus pelos

sou sol do meio dia

beija flor sorvendo mel

barco singrando o mar


quarta-feira, 21 de março de 2012

Oficina de Poesia Viva - Casa das Rosas

Casa das Rosas

Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura

OFICINA POESIA VIVA (Módulo 1)

Oficina de criação poética

Com Eunice Arruda.

Terças-feiras, 3, 10, 17, 24 de abril, 8, 15, 22 e 29 de maio, 19h30.

Esta oficina apoia-se na importância do estímulo para a criação de textos. Apresenta alguns elementos teóricos e, ainda, o haicai como exercício de concisão.

SERVIÇO

Casa das Rosas

Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura

Av. Paulista, 37

De terça-feira a sábado, das 10 às 22 horas;

domingos e feriados, das 10 às 18 horas

Tel.: (11) 3285-6986 / (11) 3288-9447

E-mail: contato@casadasrosas.org.br.

Convênio com o estacionamento Patropi: Al. Santos, 74.

quinta-feira, 15 de março de 2012

quarta-feira, 7 de março de 2012

sumário


Sentada na sala

você no colo

e agora o que faço?


De algum jeito a falta de jeito

arrumou um jeito de se ajeitar

o sossego e a calma

rodeia e volteia

traçando o caminho

de se encontrar


Sem sinal ou palavra

nossa respiração entoa

antigas cantigas

de ninar



sábado, 25 de fevereiro de 2012

Claudicante

Refeita de rarefeito amor

retomo a vida

trôpega

anêmica


Encontro o ponto

solto

desse encontro

oco


Devagarzinho

sem pressa

caminho.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Socapa





São tantas as formas
de por e dispor
compor e repor

Que a víbora consegue
disfarçar no sabor do mel
o saber do fel.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Incongruência


Ao poeta pertence as metáforas

nelas qualquer dor cabe

o imenso da dor contido

no elástico da metáfora


É isso que o poeta faz

manter a dor na palavra.


(mas a dor não passa)


domingo, 29 de janeiro de 2012

Declaração


Contemplo o azul
aqueço ao sol
na areia me alongo
refresco no mar.

O verão na praia
é o mais completo amor.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

À Maneira Adolescente II


Não me leve a serio

mesmo que eu chore

e trema

mesmo cheia de anseios

e sonhos


Não me leve a serio

não mude seu rumo

não tome decisões

mesmo que eu lhe jure

eterno amor


Não me leve a serio

eu gosto

eu amo

namorar!